Domingo promete ser histórico no futebol brasileiro. Não por um gol espetacular ou por algum lance que vá parar nos melhores momentos. Mas porque pode ser o dia em que a rivalidade pernambucana se mostra sem filtro, do jeito que ela realmente funciona.

Alguns comentaristas locais têm criticado o desejo da torcida do Náutico de ver o próprio clube não se esforçar contra o CRB, liberar jogadores e perder o jogo para atrapalhar o Sport na briga pelo G6. Chamam de feio, acham antiético, acham que futebol se resume a bola rolando, tática e técnica. Mas essa turma esquece o essencial.

Futebol é, principalmente, a felicidade do torcedor. É a alegria de quem acompanha o clube de perto, de quem sofre, de quem comemora e de quem também sente prazer quando o rival depende do seu clube para ir pra Série A. Se a torcida alvirrubra enxerga valor em um resultado que prejudique o Sport, isso é o jogo operando dentro da lógica que sempre existiu.

O Náutico já cumpriu o que precisava nesta temporada. O Sport tem todo o direito de reclamar e de buscar o que achar necessário junto à CBF e ao STJD.

Quem reduz o futebol apenas ao que acontece dentro das quatro linhas perde a parte mais viva dessa história. A magia não está só no drible ou no gol. Está também na alegria do torcedor. Goste ou não, isso também é futebol.