Dias depois de anunciar que deixa a política, a ex-vice-prefeita do Recife Isabella de Roldão (PDT) defendeu em entrevista a um podcast uma reorganização do campo conservador no país, sem dependência do bolsonarismo. A conversa vai ao ar neste sábado (31).

“O Brasil precisa resgatar a direita. O conservadorismo precisa tomar seu espaço. Não existe um partido chamado Bolsonaro”, afirmou. Para ela, o ideal é que as próximas eleições sejam disputadas por campos ideológicos bem definidos, com respeito entre os grupos e sem idolatria de lideranças.

Isabella foi dura com Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o país após a derrota no segundo turno. “Eu tenho muita esperança que este rapaz se autodeclarando presidente do Brasil, que ele fique lá pelos Estados Unidos”, disse. Ela também criticou o discurso de que “bandido bom é bandido morto” e defendeu que os extremos sejam contidos para que as alas conservadora e progressista se restabeleçam.

Apesar da defesa de uma direita organizada, a pedetista se identifica com o campo progressista, mas diz não ser petista nem lulista. Contou que cresceu acompanhando a trajetória de Leonel Brizola e que apoiou Ciro Gomes nas duas eleições presidenciais disputadas por ele.

Primeira mulher a ocupar a vice-prefeitura do Recife, Isabella comentou a saída da chapa de João Campos em 2024, quando foi substituída por Victor Marques (PCdoB), hoje prefeito. Disse que esperava continuar no cargo e que a mudança custou um espaço simbólico para as mulheres, mas negou rompimento e afirmou manter amizade com os dois. “Eu fui só a primeira e, por enquanto, a última mulher a ocupar o espaço da vice-prefeitura no Recife”, lembrou.

Fora da vida pública, ela vai se dedicar ao Instituto Primeira Infância Plantar Amor (Pipa), criado em 2018, que acompanha famílias da gestação aos três anos da criança. Segundo Isabella, o projeto atende cerca de 2 mil famílias em cinco estados.