Na sabatina do NE1 nesta segunda-feira (14), o ex-prefeito do Recife e candidato ao governo João Campos (PSB) tratou como “imprevistos” o salto de custo nas obras do calçadão de Boa Viagem. O contrato, que partiu de cerca de R$ 109 milhões, chegou a aproximadamente R$ 146 milhões com aditivos. O valor a mais, da ordem de R$ 37 milhões, ficou no centro do questionamento da apresentadora.

“Tudo isso é dentro da lei, isso é permitido”, afirmou Campos. Ele disse que mudanças no meio da execução são rotina e comparou o caso a uma reforma de casa, em que o dono só descobre o problema depois de abrir a parede. No trecho de Boa Viagem, citou tubulações antigas encontradas nas escavações e adequações impostas pela presença de árvores na orla.

O candidato sustentou que nada teria avançado sem validação técnica. Segundo ele, engenheiro de obra, projetista, fiscal e secretarias da Prefeitura do Recife precisam assinar o ajuste antes de qualquer pagamento. “Você tem mudanças que são executadas durante a obra, e tudo tem uma regra”, resumiu, sem detalhar item a item o que entrou em cada aditivo.

A resposta veio em tom de defesa da gestão na capital, base política que João deixa para disputar o Palácio do Campo das Princesas. Ele aproveitou para contrastar o Recife com o governo estadual, falou em mais de 100 creches e no Hospital da Criança, e prometeu um pacote de 94 grandes obras de água se eleito. O número do calçadão, porém, permanece como conta pública aberta. A sabatina deixa o salto de R$ 109 mi para R$ 146 mi amarrado à sua própria justificativa de “imprevistos”.