O juiz aposentado Luiz Rocha, candidato a deputado federal pelo Novo, protocolou nesta terça-feira (1º) uma notícia-crime na superintendência da Polícia Federal no Recife. O pedido, que já entra em sigilo, pede que a PF investigue as gravações usadas pela TV Record na reportagem sobre o ex-servidor Amisadai Andrade.

Rocha quer perícia nas mídias e a fita bruta da emissora, para checar cortes ou edição de áudio. A Justiça Eleitoral já tratou o material como suspeita, não como prova de um “gabinete do ódio” no Palácio. O sigilo, segundo a defesa, se justifica pelo volume de telefones, datas e encontros pessoais citados no dossiê.

A tese levada à PF é de armação política entre 2024 e 2025. Um operador paulista, apelidado de “Ulisses”, teria procurado o Portal de Prefeitura para uma parceria comercial e para medir o alcance do site. As conversas, diz o advogado, foram gravadas sem consentimento e guardadas para a campanha de 2026. “Tudo leva a crer que sim [que era uma armação], porque a conversa foi esticando ao longo dos meses e chegar a um ponto da pessoa exigir métrica, ela é uma pessoa do meio, porque quem exige métrica de um portal sabe o que é que está pedindo”, afirmou Rocha.

Amisadai admite excesso de linguagem. Reconhece termos impróprios e que tentou “parecer maior”, sem ter a influência no Palácio que alardeou. Não aceita, porém, todas as falas atribuídas a ele nem a narrativa de 300 perfis. Saiu da sociedade do portal em setembro de 2024. A defesa também nega qualquer reunião com a governadora Raquel Lyra (PSD) para articular ataques a adversários. As visitas ao Campo das Princesas, segundo Rocha, teriam sido para contratos de mídia com a Secom e para a nomeação na Arena de Pernambuco, em abril de 2025.

O movimento quebra o silêncio do ex-servidor depois da exoneração. Rocha apresentou a versão em coletiva na sede da PF, conforme o relato do Jamildo.