Candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) afirmou nesta sexta-feira (28) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “gosta” da gestora pernambucana e “admira o trabalho dela”.
A avaliação foi feita durante sabatina da Rádio Jornal, dentro do ciclo do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), no programa Passando a Limpo, conduzida pelos jornalistas Igor Maciel e Romoaldo de Souza. Na conversa, o parlamentar se colocou como ponte entre Lula e Raquel, ainda que o presidente esteja no palanque de João Campos (PSB) na corrida ao Governo de Pernambuco.
O deputado chega à disputa pelo Senado em um cenário ainda embolado, com espaço para crescimento entre os nomes do primeiro pelotão.
Segundo Túlio, a manutenção do apoio a Lula foi condição imposta por ele mesmo para migrar ao PSD e concorrer ao Senado — exigência aceita pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab. “Eu sou o senador do povo pernambucano, escolhido pela governadora Raquel Lyra e aliado do presidente Lula”, resumiu.
Questionado sobre estar em chapa adversária à do candidato apoiado por Lula, o deputado disse que sua intenção é justamente alargar a base do presidente e aproximá-lo de uma governadora que, no seu diagnóstico, “trabalha”, é “honesta” e “transparente”, abrindo caminho para uma aliança mais ampla com o PSD.
Sobre a leitura de que Lula apareceu pouco entusiasmado no vídeo gravado em apoio a João Campos, Túlio respondeu que, em conversas reservadas, o presidente costuma elogiar a gestão estadual. “Lula gosta de Raquel Lyra, admira o trabalho dela, porque ela faz como ele faz”, afirmou, citando ações de combate à fome, habitação, geração de emprego e abastecimento de água.
O parlamentar lembrou que acompanhou o petista nos momentos mais duros, inclusive na véspera de sua prisão, em 2018, mas descartou postura subserviente: se for preciso “bater na mesa” em Brasília para destravar obras destinadas a Pernambuco, garante que baterá.
Sobre os bastidores da montagem da chapa, não confirmou nem desmentiu ter cogitado deixar o páreo. Disse apenas que Raquel procurava um nome com trânsito junto a Lula e sintonia com o governo estadual, capaz de atrair investimentos. Entre as prioridades que listou estão a Transnordestina, o Canal do Sertão e a instalação de polos industriais na Zona da Mata.
No capítulo Supremo Tribunal Federal, recusou-se a transformar o impeachment de ministros em promessa eleitoral sem lastro probatório, classificando o gesto como “irresponsabilidade”. Defendeu, porém, que denúncias sejam apuradas, admitiu CPI quando houver base para isso e pregou mais transparência sobre o patrimônio de autoridades. Não citou nomes.
Por fim, defendeu que a bancada pernambucana atue de forma unificada no Congresso apesar da polarização, citando a chegada da Stellantis a Goiana e o avanço da Transnordestina como exemplos do que a articulação conjunta é capaz de entregar.
A tentativa de erguer uma ponte eleitoral entre os dois polos é o eixo da candidatura. A sabatina foi publicada pelo Jornal do Commercio.




