O deputado estadual Doriel Barros (PT) lançou nesta segunda-feira (12) o Movimento Campo com Lula, uma rede de “carona solidária” para transportar eleitores do interior, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção às seções no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A iniciativa convoca Fetape, Fetaepe, sindicatos rurais e voluntários para oferecer ida e volta, com a meta declarada de reduzir a abstenção no campo.

Em vídeo postado pelo parlamentar, identificado no material como “o deputado de Lula”, ele anuncia o início do movimento “Campo com Lula, zero abstenção”. Doriel afirma que Pernambuco teve mais de um milhão de abstenções, “boa parte no campo”, e convoca as entidades: “Fetape, Fetaepe, sindicatos, entidades, associações, vamos mobilizar 100% do nosso povo”. Em seguida, é direto: “Vamos levar todos os eleitores de Lula para votar de carona, a pé, de jumento, de bicicleta, de moto, de todo jeito”. O vídeo termina com o apelo para espalhar a mensagem porque “dia 25 vai ser Lula”.
A Lei nº 6.091/1974 proíbe o transporte de eleitores por candidatos, partidos, federações ou qualquer pessoa com finalidade eleitoral, sob pena de reclusão de quatro a seis anos e multa. A jurisprudência do TSE exige a finalidade de aliciamento, que pode ser comprovada pelo contexto — exatamente o que ocorre aqui: movimento batizado com o nome de Lula, lançado por dirigente do PT e com convocação organizada de sindicatos. As exceções legais (família, linhas regulares não fretadas, veículos da Justiça Eleitoral e serviços de táxi/app sem fins eleitorais) não cobrem a estrutura montada.
O transporte gratuito para zonas rurais a partir de dois quilômetros é atribuição da Justiça Eleitoral, não de campanhas. Ao transformar a carona em ferramenta explícita de mobilização para um candidato, o PT-PE descumpre a regra e expõe os envolvidos a risco de denúncia e apuração pelo Ministério Público Eleitoral.