Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu, neste domingo (25), mais um capítulo extraordinário de sua trajetória política. Aos 80 anos, o ex-metalúrgico nascido em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, conquistou seu quarto mandato presidencial após uma virada considerada improvável até mesmo por parte de seus aliados.

Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), por uma diferença superior a 2,2 milhões de votos. Durante praticamente toda a segunda etapa da disputa, apareceu em desvantagem nas pesquisas. Na véspera da eleição, os principais institutos ainda apontavam o senador como favorito, embora dentro da margem de erro.

A reação nas urnas contrariou as expectativas e interrompeu o clima de vitória antecipada que havia tomado conta de setores do bolsonarismo.

Um dos personagens centrais dessa campanha foi o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável por uma mobilização digital histórica. Seu canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, ultrapassou 10 milhões de seguidores, reunindo militantes e eleitores numa ofensiva que levou a disputa política diretamente aos celulares dos brasileiros. A iniciativa provocou uma batalha jurídica no Tribunal Superior Eleitoral, após tentativas da campanha adversária de suspender o canal.

A vitória também consolida uma biografia sem paralelo entre os presidentes eleitos pelo voto popular no Brasil.

Nascido numa família pobre do interior pernambucano, Lula migrou ainda criança para São Paulo, tornou-se líder sindical, fundou o PT, enfrentou três derrotas presidenciais, governou o país por oito anos, foi preso, recuperou seus direitos políticos e retornou ao Palácio do Planalto.

Agora, tornou-se o primeiro brasileiro a vencer quatro eleições presidenciais diretas e a conquistar a Presidência depois de terminar o primeiro turno atrás do adversário.

Gostando dele ou não, é difícil encontrar outra trajetória semelhante na história política nacional.