O inquérito que resultou na prisão preventiva do deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB) começou em julho de 2026, segundo o advogado Weryd Simões. Naquele momento, o projeto eleitoral do comunicador já era público havia cerca de seis meses.

Emerson anunciou a intenção de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 31 de dezembro de 2025. O anúncio foi registrado pelo Portal de Prefeitura em 2 de janeiro, quando ainda não havia confirmação do partido pelo qual concorreria.

Ele acabou disputando pelo MDB. O calendário do TSE estabeleceu 4 de abril como prazo geral para que os candidatos estivessem com a filiação deferida pela legenda. Essa é a data-limite eleitoral, não a data individual de filiação de Emerson, cuja certidão ainda não foi obtida.

Ao informar que o inquérito começou em julho, Simões afirmou que os fatos investigados não têm relação com a campanha ou a vida partidária do deputado eleito. A abertura ocorreu durante a pré-campanha, antes do início da propaganda oficial, em 16 de agosto.

A prisão preventiva foi decretada pela 15ª Vara Criminal da Capital em 29 de outubro, 25 dias após Emerson ser eleito com 49.254 votos. O procedimento apura suspeita de extorsão e tramita sob segredo de justiça.

A defesa questiona o acesso aos fundamentos da medida. Em entrevista, Simões afirmou que havia procuração nos autos desde 15 de outubro, mas os advogados ainda não tinham acesso à decisão enquanto informações circulavam na imprensa.

Segundo a defesa, Emerson também compareceu espontaneamente ao GOE, sem intimação, e forneceu seus contatos para colaborar. Os advogados apontam supostas irregularidades e pedem apuração da divulgação de informações sigilosas.