Reeleito deputado federal e presidente do PT em Pernambuco, Carlos Veras subiu o tom contra Flávio Bolsonaro (PL) em entrevista a uma rádio do Recife. Chamou o senador de “fujão”, “bandidinho” e “ladrãozinho desqualificado” e repetiu que quem não deve à Justiça não foge do país.
Para o petista, a viagem de Flávio aos Estados Unidos, dois dias depois da derrota para Lula no segundo turno, enfraqueceu a oposição, porque comandar a distância é mais difícil. A base governista já reúne na Câmara uma frente de 366 deputados para garantir a governabilidade diante da maior bancada da direita na história recente, puxada pelos 121 deputados do PL. No Senado, a articulação ainda está em desenho.
A estratégia, segundo Veras, passa por atrair partidos de centro e de centro-direita para aprovar projetos e mudanças na Constituição. A meta declarada é “isolar o fascismo” e neutralizar a extrema direita no plenário.
Na véspera, coordenador da campanha de Lula no estado, ele já tinha rebatido a tese de perseguição lembrando que o PL saiu das urnas com as maiores bancadas do Congresso. “Ele está fugindo porque sabe que está devendo, e muito, à Justiça brasileira”, disse. “Ele não tem nenhuma moral para liderar nada.”
Eleito deputado federal como o segundo mais votado de Pernambuco, Jones Manoel (PSOL) chamou Flávio de “Fernandinho Beira-Mar da política” e lembrou que, pela primeira vez em 24 anos, o senador ficará sem mandato e sem imunidade parlamentar. Jones disse que, ao assumir a cadeira em fevereiro de 2027, vai procurar parlamentares americanos para pressionar pela extradição.
A ofensiva da esquerda pernambucana responde a aliados de Flávio no estado, como o deputado federal eleito Gilson Machado Neto e o deputado estadual Coronel Feitosa (PL), que passaram a chamar a saída do senador de exílio político.