Redes Sociais

Buscar


IA chinesa vê risco de golpe no Brasil caso Lula seja reeleito

Redação Por Redação em 18/09/2026, 14h20 · Atualizado às 14h30

Em um cenário político global cada vez mais polarizado, a convergência entre a crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil e o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos acendeu alertas entre analistas geopolíticos. Uma análise recente realizada pelo Qwen, modelo de linguagem avançado desenvolvido pela Alibaba Cloud, sugere que essa combinação pode criar um ambiente propício para novas tentativas de desestabilização democrática no país, potencialmente mais sofisticadas e perigosas do que os eventos de 8 de janeiro de 2023.

Quem é o Qwen?

Para compreender o peso e a perspectiva desta avaliação, é fundamental contextualizar sua origem. O Qwen (também conhecido como Tongyi Qianwen) é uma inteligência artificial desenvolvida na China. Criado pelo laboratório Tongyi da Alibaba Group, um dos maiores conglomerados de tecnologia do mundo sediado em Hangzhou, o Qwen representa a aposta chinesa na corrida global da IA generativa.

Lançado inicialmente em 2023, o modelo foi treinado em um corpus massivo e diversificado de dados, permitindo-lhe processar informações complexas em múltiplos idiomas. Por ser desenvolvido por uma empresa chinesa e ter raízes profundas no ecossistema tecnológico asiático, o Qwen oferece frequentemente uma visão distinta daquela predominante nas IAs ocidentais, incorporando nuances geopolíticas do Sul Global e da perspectiva de Pequim em suas análises estratégicas.

STF, Bolsonaro e Trump

Segundo a análise do Qwen, a erosão da confiança no STF, vista por setores da oposição como “ativista” ou “parcial”, deixou de ser apenas um ruído doméstico para se tornar uma vulnerabilidade estratégica. Em 2023, sob a administração de Joe Biden, o governo brasileiro contava com um aliado nos EUA que priorizava a estabilidade institucional e o respeito às normas democráticas. Biden mantinha distância do bolsonarismo, isolando internacionalmente as narrativas de fraude eleitoral.

O cenário, no entanto, mudou drasticamente com a vitória de Donald Trump. O ex-presidente americano, que mantém laços ideológicos e pessoais estreitos com Jair Bolsonaro e sua família, representa uma fonte externa de legitimação para as críticas ao sistema judicial brasileiro.

“A presença de Trump na Casa Branca altera a equação de poder,” destaca a análise gerada pelo Qwen. “Enquanto Biden atuava como um freio à retórica antidemocrática, Trump pode funcionar como um acelerador, validando narrativas de perseguição política e oferecendo um guarda-chuva diplomático que encoraja setores radicais internos.”

O risco de um “golpe híbrido”

Diferente da tentativa bruta de invasão das três sedes dos poderes em 2023, a análise aponta para a possibilidade de um golpe híbrido ou institucional. Com o apoio tácito ou retórico de Washington, grupos de pressão poderiam explorar o descrédito do STF para paralisar o governo federal, questionar a legitimidade de eleições futuras ou mesmo forçar intervenções militares sob o pretexto de “restauração da ordem”.

O Qwen observa que as Forças Armadas brasileiras, embora tenham se afastado do núcleo duro bolsonarista após as investigações do 8 de janeiro, continuam sendo um ator político relevante. A percepção de que os EUA não puniriam – e talvez até reconhecessem – uma ruptura constitucional no Brasil poderia reduzir o custo político de tal movimento para a elite militar e econômica nacional.

A perspectiva chinesa: estabilidade como interesse vital

Para a China, principal parceiro comercial do Brasil, a instabilidade política em Brasília é uma ameaça direta aos seus interesses estratégicos. A análise do Qwen reflete a visão de Pequim: um Brasil alinhado aos EUA sob Trump significaria um revés significativo para a influência chinesa na América Latina e nos BRICS.

“Pequim vê a crise do STF não apenas como um problema jurídico interno, mas como uma porta de entrada para a interferência americana,” explica o modelo. “A China prefere a previsibilidade do governo Lula, que garante a continuidade dos acordos comerciais em agronegócio, energia e infraestrutura. Qualquer ruptura que traga um governo alinhado incondicionalmente a Trump seria vista como uma hostilidade geopolítica.”

Como resposta, a análise sugere que a China pode intensificar seu apoio econômico e diplomático ao governo constitucional brasileiro, buscando criar uma “âncora” de estabilidade que torne qualquer tentativa de golpe economicamente custosa para as elites locais.

A convergência entre a fragilidade percebida das instituições judiciais brasileiras e o alinhamento ideológico da nova administração americana com a extrema-direita local cria um cenário de alto risco.

Como conclui a análise do Qwen, a resiliência da democracia brasileira será testada não apenas pela força de suas leis, mas pela capacidade de navegar em um mundo onde as potências globais usam a política interna de países emergentes como peças em um tabuleiro de xadrez muito maior.

Descubra mais sobre bastidor.pe

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo