Funcionários da Prefeitura do Recife retiraram dos muros do Bairro do Recife os cartazes apócrifos de ataque à governadora Raquel Lyra (PSD) que repercutiram fortemente no fim de semana. Segundo informações apuradas até o momento, a operação de limpeza foi conduzida por servidores da Diretoria Executiva de Controle Urbano (DIRCON) da gestão municipal.
A ação começou no domingo, 30 de agosto, no mesmo dia em que as peças surgiram nas ruas do Centro Histórico, e se estendeu até a tarde de segunda-feira, 31. Imagens registradas na Rua da Moeda mostram pessoas arrancando o material de paredes nas ruas do Recife Antigo.
Os cartazes, sem identificação de autoria, financiamento ou responsável, acusavam falsamente a governadora de ter matado o marido, o empresário Fernando Lucena, “para ganhar a eleição”. Lucena morreu de mal súbito (infarto) em 2 de outubro de 2022, dia do primeiro turno da eleição estadual. Uma das peças colocava Lyra ao lado de Elize Matsunaga e Flordelis, ambas condenadas por homicídio de companheiros, com a frase “matadoras de maridos”. Outra montagem a associava a Flávio Bolsonaro sob o texto “chapa anti-Lula”.
A campanha de Raquel Lyra registrou boletins de ocorrência na Polícia Federal e na Polícia Civil no próprio domingo e protocolou pedido no Ministério Público Eleitoral na segunda-feira. A coligação Pernambuco de Coração classificou o episódio como violência política e pediu preservação de imagens de câmeras, identificação da gráfica, oitiva de testemunhas e apuração da origem e do financiamento do material.
A Frente Popular de Pernambuco, coligação de João Campos (PSB) afirmou que qualquer atribuição do material à sua campanha seria respondida na Justiça e acionou o Ministério Público Eleitoral para que a autoria, a produção e a distribuição fossem investigadas. O TRE-PE determinou a retirada de publicações que ligavam o PSB ou Campos às peças sem prova.
Na terça-feira, 1º de setembro, a Justiça Eleitoral determinou que a Polícia Federal instaure inquérito policial eleitoral. A decisão exige preservação de gravações de câmeras da Secretaria de Defesa Social, do CICC estadual e da própria Prefeitura do Recife, além de recolhimento dos cartazes remanescentes para perícia e investigação da origem gráfica, impressão, transporte e eventual financiamento. O prazo das imagens a serem preservadas cobre o período de 25 a 30 de agosto.
A retirada antecipada dos cartazes pelos servidores municipais pode comprometer a perícia determinada pela Justiça Eleitoral. A decisão de 1º de setembro determina o recolhimento das peças ainda existentes para análise técnica — tipo de papel, tinta, marca de impressão, cola, eventuais digitais e origem gráfica.
Com o material já arrancado dos muros a partir de domingo, parte dessa evidência física pode ter sido descartada, danificada ou misturada, o que reduz a chance de identificar gráfica, fornecedor e cadeia de distribuição.