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Frente Popular pediu investigação após Prefeitura remover cartazes apócrifos contra Raquel

Redação Por Redação em 02/09/2026, 15h35 · Atualizado às 15h44

Documento revelado pelo Blog do Ricardo Antunes mostra que gestão municipal determinou retirada dos materiais; Bastidor localizou peças nas ruas e registrou pontos onde foram afixadas.

A Frente Popular de Pernambuco, coligação liderada pelo candidato ao Governo do Estado João Campos (PSB), pediu a investigação da origem e da divulgação dos panfletos apócrifos com ataques à governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). O pedido ocorre enquanto novos elementos ajudam a reconstruir o caminho dos materiais: a própria Prefeitura do Recife determinou a retirada dos cartazes, e o Bastidor localizou peças em diferentes pontos do Bairro do Recife.

O principal documento sobre a atuação municipal foi revelado nesta quarta-feira (2) pelo Blog do Ricardo Antunes. Trata-se do Ofício SEOPS/SECON/AJ nº 312/2026, produzido pela Secretaria Executiva de Controle Urbano (Secon) e assinado eletronicamente às 21h30 do domingo (30). O texto registra que páginas no Instagram haviam denunciado a existência de panfletos apócrifo ofensivos à honra da governadora espalhados pelo Recife.

O parecer jurídico determinou atuação “imediata” da fiscalização municipal, com remoção dos cartazes e autuação dos responsáveis. A orientação, porém, estabeleceu procedimentos que deveriam ser cumpridos antes da retirada: fotografar as peças, tentar identificar os responsáveis e produzir relatório circunstanciado para documentar a atuação administrativa.

O documento também determinou que a Secon desse conhecimento dos fatos às autoridades competentes, mencionando a Polícia Judiciária e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE).

Bastidor foi às ruas e encontrou os cartazes

A existência física dos materiais já havia sido verificada pelo Bastidor. Depois de receber relatos de leitores, fotografias por WhatsApp e denúncias sobre as peças, nossa equipe foi às ruas do Bairro do Recife para conferir as informações.

Na noite de domingo (30), encontramos cartazes apócrifos afixados em postes e muros. Parte das peças associava Raquel Lyra ao senador Flávio Bolsonaro. Outra fazia uma acusação relacionada à morte de Fernando Lucena, marido da governadora. Os materiais não apresentavam identificação de autoria, responsável financeiro ou indicação de quem havia produzido ou distribuído as peças. 

A apuração foi publicada posteriormente com a localização de pontos onde os cartazes haviam sido encontrados. O trabalho teve como origem justamente as informações encaminhadas por leitores e a verificação presencial feita pela reportagem. 

As imagens registradas pela reportagem e o vídeo obtido pelo Bastidor ajudam a documentar que o material chegou fisicamente às ruas, um dos pontos que passou a ocupar o centro da disputa política depois que aliados de João Campos questionaram a origem das fotografias divulgadas.

Prefeitura retirou peças antes do inquérito da PF

Nesta quarta-feira (2), o Bastidor revelou também que funcionários da fiscalização municipal retiraram cartazes dos muros do Bairro do Recife.

A operação começou no domingo (30), quando as peças ganharam repercussão, e continuou até a tarde da segunda-feira (31). Imagens obtidas pela reportagem mostram a retirada de material na Rua da Moeda. A apuração aponta que a ação foi conduzida por servidores da Diretoria Executiva de Controle Urbano (Dircon) da Prefeitura. 

A remoção antecedeu a decisão da Justiça Eleitoral que, na terça-feira (1º), determinou a abertura de inquérito policial eleitoral pela Polícia Federal para investigar a autoria e a cadeia de produção dos cartazes.

A juíza Anamaria de Farias Borba Lima Silva determinou a preservação de imagens de câmeras públicas e privadas e a arrecadação dos materiais impressos ainda existentes para perícia. A investigação deverá buscar quem produziu, financiou, transportou, distribuiu ou determinou a instalação das peças. 

A magistrada determinou ainda que a Prefeitura identifique câmeras da Rua da Moeda, da entrada do Bairro do Recife, das vias adjacentes e dos principais acessos à região. As gravações entre os dias 25 e 30 de agosto devem ser preservadas em formato original, com metadados, datas e horários, para eventual utilização pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Eleitoral e pela Justiça. 

A retirada antecipada de parte dos cartazes pode reduzir o universo de peças disponíveis para perícia. A investigação poderá analisar elementos como papel, tinta, impressão, cola e outros vestígios capazes de auxiliar na identificação da origem gráfica do material. 

O próprio documento da Prefeitura, entretanto, determinava que os fiscais preservassem informações antes da remoção. A ordem era produzir registro fotográfico, buscar a identificação dos responsáveis e elaborar relatório circunstanciado.

Esses registros, caso tenham sido efetivamente produzidos, passam a ser elementos potencialmente relevantes para a investigação.

Frente Popular também foi à Justiça

Paralelamente, a Frente Popular informou, por meio de release distribuído à imprensa, que acionou o Ministério Público Eleitoral para pedir investigação sobre a autoria, produção e divulgação dos panfletos. A coligação negou participação na confecção ou disseminação das peças e pediu a identificação dos responsáveis.

Na terça-feira (1º), a Frente apresentou ainda um pedido complementar envolvendo o perfil do Bastidor no Instagram e seus responsáveis. A coligação questionou a origem de uma fotografia de um dos materiais e pediu que as circunstâncias de sua divulgação fossem investigadas.

O argumento apresentado pela Frente Popular é que integrantes da coligação teriam feito uma busca pela cidade sem encontrar exemplares físicos daquele panfleto específico. Uma matéria do Diario de Pernambuco, entretanto, registrou a versão do Bastidor: a reportagem recebeu imagens e relatos de leitores e foi às ruas para verificar as informações.

Essa verificação presencial resultou na localização de cartazes em diferentes pontos do Bairro do Recife. 

Documento antecede declaração de João

O documento revelado pelo Blog do Ricardo Antunes acrescenta outro elemento à cronologia do episódio.

Na terça-feira (1º), durante entrevista à Rádio Folha FM, João Campos afirmou que sua equipe jurídica havia procurado os materiais divulgados nas redes sociais e não encontrado determinadas peças.

O ofício da Prefeitura, entretanto, havia sido produzido dois dias antes. Além de mencionar expressamente denúncias sobre panfletos apócrifos espalhados pelo Recife, a administração municipal determinou que seus próprios fiscais removessem os cartazes. O documento foi assinado às 21h30 de 30 de agosto.

A determinação municipal não esclarece, por si só, quem produziu ou espalhou os materiais. O TRE-PE também já determinou a retirada de publicações que atribuíam a autoria dos cartazes ao PSB, à Frente Popular ou a João Campos sem apresentação de provas. A autoria permanece desconhecida. 

A investigação da Polícia Federal deverá agora tentar responder justamente às questões ainda abertas: quem criou as artes, onde os materiais foram impressos, quem financiou a produção, quem os levou às ruas e quem determinou sua distribuição.

Também deverá ser possível confrontar as imagens e relatórios eventualmente produzidos pela fiscalização municipal com os registros feitos pela imprensa, as gravações das câmeras de segurança e os cartazes que ainda puderem ser recolhidos.

Se identificados, os responsáveis pela produção e distribuição dos panfletos podem responder por crimes eleitorais contra a honra, irregularidades de propaganda e indenizações na esfera cível.

Eventual participação de campanhas ou agentes públicos pode ampliar a investigação para ilícitos eleitorais mais graves.

Já a retirada dos cartazes pela Prefeitura não configura, isoladamente, crime, uma vez que havia determinação administrativa para removê-los; a apuração deverá verificar se foram preservados os registros e elementos exigidos pelo próprio parecer municipal.

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