Coligação diz que imagens mostram instalação de cartazes apócrifos contra João Campos; internautas apontam que material seria peça com políticos do PSB.
Um vídeo apresentado pela Frente Popular de Pernambuco à Justiça Eleitoral nesta quarta-feira (2) como prova da colagem de cartazes apócrifos contra João Campos (PSB) passou a levantar uma nova questão nas redes sociais: qual era, de fato, o conteúdo dos materiais instalados pelas pessoas registradas nas imagens?
A gravação, feita por uma câmera de videomonitoramento na madrugada de 1º de agosto, mostra três pessoas em uma ação de colagem na Travessa Tiradentes, em frente ao número 222, no Bairro do Recife.
O vídeo divulgado tem baixa resolução e, pelas imagens disponibilizadas, não é possível ler com segurança o conteúdo dos impressos durante a instalação.
A Frente Popular apresentou o registro à Justiça como elemento para investigar a produção e distribuição de propaganda negativa contra João Campos. Segundo o pedido da coligação, o vídeo abre uma possibilidade de identificar quem realizou a colagem e, a partir daí, descobrir quem forneceu os impressos, onde foram produzidos e quem financiou a operação. A própria Frente reconhece que os 36 segundos de gravação não permitem identificar quem teria ordenado ou financiado a produção.
O caso ganhou repercussão na imprensa como um flagrante de instalação de “cartazes apócrifos contra João Campos”. Essa é também a descrição inserida sobre o vídeo divulgado.
Internautas apontam conteúdo
Após a circulação das imagens, porém, internautas passaram a apontar que o panfleto instalado naquele ponto seria uma peça diferente daquela caracterização genérica de ataque ao candidato.
Uma fotografia encaminhada ao Bastidor mostra, afixado em uma estrutura urbana, um cartaz com fotografias de Geraldo Júlio, João Campos e Paulo Câmara. Não dá para saber se é o mesmo poste retratado no vídeo.


No material, acima de cada um aparecem seus respectivos nomes e, na parte inferior, a inscrição “Time de João Campos”, acompanhada da marca do PSB.
A peça não contém, na parte visível da fotografia, xingamentos ou acusações pessoais contra João Campos. Sua mensagem associa o candidato aos dois ex-governantes socialistas.
A fotografia, isoladamente, não permite ao Bastidor afirmar que esse é o mesmo cartaz instalado pelas três pessoas que aparecem no vídeo. A gravação noturna não possui definição suficiente para que o conteúdo do papel seja identificado visualmente com segurança.
A coincidência apontada nas redes, entretanto, coloca uma questão objetiva para a investigação: qual era o conteúdo dos cartazes efetivamente instalados na Travessa Tiradentes naquela madrugada?
A resposta pode ser relevante porque o vídeo foi juntado pela Frente Popular a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) como elemento relacionado a uma suposta estrutura de propaganda negativa contra João Campos.
Frente quer identificar responsáveis pela colagem
No pedido encaminhado à Justiça, a Frente Popular sustenta que as imagens demonstram uma operação concreta e coordenada de instalação de material durante a madrugada.
A coligação pretende que as pessoas registradas sejam identificadas para que a investigação possa avançar sobre quem forneceu os impressos, eventual contratação dos responsáveis pela colagem, roteiro utilizado, veículo envolvido, gráfica responsável e origem dos recursos.
Os advogados da Frente fazem uma ressalva no próprio pedido: o vídeo, sozinho, não permite concluir quem mandou produzir os cartazes nem quem financiou a ação. A gravação é apresentada como um ponto de partida para novas diligências.
A AIJE à qual o vídeo foi anexado foi ajuizada anteriormente pela Frente Popular e reúne outras acusações contra a gestão estadual, entre elas alegações de abuso de poder político e econômico e a existência de uma estrutura de ataques contra João Campos. As acusações ainda dependem de análise e apuração pela Justiça Eleitoral.
Disputa sobre panfletos apócrifos
O episódio ocorre em meio a uma disputa entre as duas principais campanhas sobre a circulação de materiais anônimos no Recife.
No último domingo (30), foram encontrados cartazes apócrifos com ataques à governadora Raquel Lyra (PSD), inclusive peças envolvendo a morte de seu marido, Fernando Lucena. João Campos repudiou publicamente o conteúdo e a Frente Popular pediu investigação para identificar os responsáveis.
O TRE-PE também determinou a retirada de publicações que atribuíam a João Campos, ao PSB ou à Frente Popular a autoria daqueles materiais sem elementos que sustentassem a acusação.
Agora, a identificação precisa do material registrado no vídeo de 1º de agosto passa a ser mais um elemento a ser esclarecido.
Se o cartaz apontado pelos internautas for efetivamente o mesmo instalado naquela madrugada, a investigação terá de estabelecer também qual era o conteúdo integral da peça e em que contexto ela foi produzida e distribuída. Se não for, caberá identificar quais eram os impressos registrados pela câmera.
Em ambos os casos, o vídeo comprova a existência de uma ação de colagem naquele local, mas sua resolução, por si só, não permite ao Bastidor identificar o conteúdo dos cartazes afixados pelas pessoas que aparecem nas imagens.



