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Turismo de Pernambuco já teve seis secretários desde 2023

Redação Por Redação em 01/11/2026, 20h07 · Atualizado às 20h23

A Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco passou pelo comando de seis pessoas desde o início do governo Raquel Lyra, em janeiro de 2023. Foram quatro titulares, dois interinos e cinco transições em menos de quatro anos. A sequência de mudanças coloca em discussão a continuidade da política turística e a capacidade de manter projetos que dependem de negociação com empresas e planejamento de longo prazo.

O atual secretário, Roberto Asfora Filho, é vereador de Brejo da Madre de Deus, no Agreste, licenciado para assumir a pasta em maio de 2026. O perfil divulgado pela própria secretaria registra quatro mandatos de vereador e experiência administrativa, financeira e industrial.

A quarta reportagem da série Crise do Turismo, do Bastidor, reúne a cronologia das substituições e relatos de fontes do setor sobre projetos interrompidos e iniciativas que deixaram de avançar. A cobrança é por continuidade no planejamento, na execução das ações e na articulação com o mercado turístico.

Seis nomes em menos de quatro anos

Daniel Coelho foi o primeiro titular da gestão. Assumiu em janeiro de 2023 e deixou a secretaria em junho de 2024 para disputar a Prefeitura do Recife. O secretário executivo Daniel Leite passou a responder interinamente pelo órgão. No mês seguinte, em 3 de julho, Paulo Nery tomou posse.

Nery permaneceu no cargo até março de 2025, quando foi substituído pelo deputado estadual Kaio Maniçoba. A posse do novo titular ocorreu no dia 24. Em abril de 2026, Kaio saiu e João Lucas da Silva Cavalcante, que já integrava a secretaria, foi designado para comandá-la. A nomeação de Roberto Asfora Filho foi publicada em 23 de maio.

A contagem de seis dirigentes inclui os períodos de Daniel Leite e João Lucas à frente da pasta. João Lucas assinou atos como secretário designado. A distinção importa para dimensionar a rotatividade. Foram cinco mudanças de comando, incluindo as transições provisórias entre titulares.

Cronologia dos seis dirigentes

Quatro titulares e dois interinos ou designados à frente da Secretaria de Turismo e Lazer desde 2023.

DirigenteEntrada ou referênciaCondição e transição
Daniel CoelhoJaneiro de 2023Titular. Sai em junho de 2024 para disputar a Prefeitura do Recife.
Daniel LeiteJunho de 2024Interino. Anúncio em 6/6, com publicação prevista para 7/6.
Paulo Nery3 de julho de 2024Titular. Substituído por Kaio Maniçoba em março de 2025.
Kaio Maniçoba24 de março de 2025Titular. Sai em abril de 2026 e retorna ao mandato parlamentar.
João Lucas da Silva CavalcanteAbril de 2026Designado. Substituição anunciada em 6/4, para publicação em 7/4. Assina atos como secretário designado.
Roberto Asfora Filho23 de maio de 2026Titular. Data de publicação da nomeação.

As referências de entrada combinam data de posse, anúncio e publicação. Fontes Câmara dos Deputados, Diário Oficial do Estado e Setur.

A continuidade dos projetos em questão

Segundo fontes do setor ouvidas pelo Bastidor, projetos foram interrompidos e iniciativas deixaram de avançar em meio às mudanças de comando na Secretaria de Turismo. Os relatos apontam descontinuidade e dificuldade para dar sequência ao trabalho entre uma gestão e outra.

A cobrança alcança a condução da política turística. Para o setor, a sucessão de nomes precisa vir acompanhada da preservação dos compromissos e do andamento dos projetos. A administração deve apresentar quais iniciativas foram mantidas, revistas ou suspensas, com os respectivos prazos e responsáveis.

Promover destinos, qualificar serviços e negociar com empresas são frentes que exigem acompanhamento. A troca de secretário torna ainda mais importante registrar o que já foi feito, quais compromissos estão em andamento e quais entregas precisam ser concluídas. A falta dessa continuidade compromete a capacidade de cobrar resultados.

Menos navios no Porto do Recife

O calendário portuário reforça a cobrança por resultados. O Porto do Recife registrou 26 navios em 2022/2023, 23 em 2023/2024, 19 em 2024/2025 e 17 em 2025/2026. A programação consultada em 31 de outubro prevê nove escalas para 2026/2027, queda de 65,4% frente ao primeiro ciclo da série. O último número é uma previsão para a temporada inteira.

A sucessão de dirigentes ocorreu enquanto o mercado local de cruzeiros perdia escalas. Os registros documentam os dois processos, mas não medem quanto da retração foi provocado pelas trocas. Essa relação exige conhecer as negociações com as companhias, os projetos que avançaram e os que foram abandonados.

O que o governo precisa explicar

Cabe à nova gestão apresentar a composição da equipe e os compromissos assumidos para o setor. O governo deve informar quais metas sobreviveram às mudanças e quem responde por sua execução.

A continuidade precisa aparecer em orçamento, prazos, negociações e resultados verificáveis. Com seis nomes no comando desde 2023, cabe ao governo demonstrar como preservou a memória dos projetos e quais ações concretas adotará para dar continuidade à política turística e superar os entraves relatados pelo setor.