O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 13,7 milhões de outros advogados e empresas entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo notas fiscais obtidas em reportagem publicada nesta terça-feira (20). Das 62 notas analisadas, só uma descreve a atuação do próprio Flávio. A maioria traz apenas a expressão “assessoria jurídica”. A sociedade individual, aberta em abril de 2021, tem endereço registrado na casa do senador no Lago Sul, em Brasília, e uma única funcionária.
O maior cliente foi o escritório Nilo & Almeida, do advogado Edvaldo Nilo de Almeida, nomeado por Jair Bolsonaro para a Comissão de Ética Pública em 2022, com R$ 4 milhões em duas notas de 2025, ou 29% do faturamento. Outros R$ 2,1 milhões vieram de bancas de Otto Medeiros, amigo do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que se declara impedido nos casos do advogado. O escritório de Daniel Bettamio Tesser, da defesa de Jair Bolsonaro, pagou R$ 970 mil. As notas registram ainda R$ 500 mil ligados à Copenhagen, empresa que atendia ao Banco Master.
A administradora da firma é irmã do contador que cuidava do escritório e foi preso em 2025. Ele também era responsável técnico da principal empresa do empresário conhecido como Careca do INSS. Os pagamentos foram feitos em contas no Santander e no BRB. Na do Santander, segundo a Polícia Federal, Flávio divide a titularidade com Willer Tomaz, alvo do inquérito no STF que apura lavagem de dinheiro e que pagou para tirar do ar notícias que o ligavam ao senador, segundo a PF.
O escritório de Otto Medeiros disse que contratou a firma para consultoria privada levando em conta “experiência e competência profissional”. O empresário Marcos Antonio Grecco, outro cliente, afirmou que a atuação de Flávio “ocorreu formalmente, com procuração juntada aos atos”. Parlamentares podem exercer a advocacia, desde que não integrem a Mesa do Senado nem atuem contra órgãos públicos. O caso reforça a cobrança de Lula, que pediu ao TSE a abertura dos próprios sigilos e desafiou Flávio a fazer o mesmo.
Foto: Charles Vieira