Artista do Jiquiá, no Recife, Ângelo de Souza recebe Kikito pela música de “Graxa e o Zepelim”.
O músico e compositor pernambucano Ângelo de Souza, conhecido como Graxa, recebeu o prêmio de Melhor Trilha Musical na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Brasileiros do Festival de Cinema de Gramado. O reconhecimento foi atribuído pelo trabalho realizado em “Graxa e o Zepelim”, curta dirigido por Camilo Soares e protagonizado pelo próprio artista. A premiação ocorreu no Palácio dos Festivais, em Gramado, no Rio Grande do Sul.
O Kikito é mais um reconhecimento da trajetória de um compositor cuja obra está ligada ao Jiquiá, bairro da Zona Oeste do Recife onde Graxa cresceu e desenvolveu parte de sua vida artística e profissional. É esse território que ocupa o centro do curta.

Fotos: Edison Vara (Ag. Pressphoto)
Com cerca de 20 minutos, “Graxa e o Zepelim” combina elementos documentais, musicais e ficcionais e parte da passagem do dirigível Graf Zeppelin pelo Recife, na década de 1930, para estabelecer um diálogo entre memória, promessa de progresso e experiências contemporâneas dos moradores do bairro.
Um dos elementos musicais presentes no filme é uma versão de “Eu Vou pra Lua”, canção de Ari Lobo que menciona o campo do Jiquiá. A composição foi lançada em 1958, em registro do próprio Ari Lobo, e se tornou uma das músicas associadas ao imaginário popular sobre a corrida espacial e o desejo de alcançar a Lua. Na letra, o campo do Jiquiá aparece como referência local ligada à partida imaginada do personagem: “Eu vou pra Lua / Eu vou pra Lua / Eu vou pra Lua / No campo do Jiquiá”.
No filme, a versão da canção funciona como uma ponte entre a história do Jiquiá e a imaginação de um futuro tecnológico, reforçando a relação entre o campo que recebeu o Graf Zeppelin e os sonhos de deslocamento, modernidade e transformação.
No curta-metragem, a trajetória de Graxa se relaciona à história do lugar. A produção acompanha o músico em conversas com moradores e utiliza diferentes linguagens para abordar expectativas em torno do progresso e de um futuro que parece nunca chegar. Antes da premiação, o curta havia sido selecionado para a competição nacional de Gramado como uma das produções representantes de Pernambuco.
Artista independente
Graxa construiu sua carreira fora dos caminhos mais convencionais da indústria musical. A carreira solo como Graxa ganhou forma com “Molho” (2013), seu primeiro álbum lançado com esse nome artístico.
O apelido surgiu fora dos palcos. Ângelo trabalhou na oficina mecânica da família, no Jiquiá, e passou a ser chamado de Graxa depois de aparecer diante de amigos ainda sujo do trabalho.
Depois de Molho, foram lançados os títulos “Aquele Disco Massa” (2015), “A Concorrência É Demais!” (2017) e “Purple” (2018), além de “E os camarões boiavam sob a superfície da sopa” (2019).



