Pela primeira vez na campanha, uma pesquisa mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulação de segundo turno. O levantamento Quaest, encomendado pelo jornal O Globo e pela TV Globo e divulgado nesta segunda-feira (14), ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro e aponta 42% para Flávio contra 40% de Lula uma inversão de apenas um ponto em relação à rodada anterior, de 7 de setembro, quando os dois apareciam empatados em 41%.
A hipótese de uma vitória simultânea de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e de João Campos no governo de Pernambuco acende uma preocupação: a de que o estado volte a enfrentar, em Brasília, o mesmo tipo de atrito que marcou boa parte da gestão de Paulo Câmara (PSB), governador entre 2015 e 2023.
A leitura que prevalece entre os socialistas é que parcela relevante das dificuldades de Câmara à frente do Palácio do Campo das Princesas não veio de má gestão, mas da relação desgastada com o governo de Jair Bolsonaro.
O desgaste apareceu em diversas situações protocolares. Um exemplo foi quando, em maio de 2022, Câmara chegou a dizer que não poderia receber Bolsonaro em visita ao Estado porque o Palácio do Planalto não havia comunicado oficialmente a agenda ao governo estadual.
Para lideranças do PSB, esse tipo de fricção política, mais do que qualquer entrave técnico, ajuda a explicar por que Pernambuco, mesmo com indicadores sociais e fiscais defendidos pelo partido como positivos, penou para destravar obras estruturantes e repasses emergenciais durante o período Bolsonaro-Câmara.
É esse roteiro que os interlocutores não querem ver se repetir caso Flávio chegue ao Planalto ao mesmo tempo em que João Campos assume o governo estadual. A avaliação é a de que um Executivo federal comandado por um Bolsonaro tenderia a reproduzir, com Pernambuco, o mesmo padrão de distanciamento e disputa por protagonismo que marcou a relação com Paulo Câmara, especialmente num Estado que, historicamente, vota majoritariamente à esquerda e deve seguir dando a Lula vantagem folgada no Nordeste, segundo a própria Quaest.
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado segue configurando empate técnico, mas a mudança de sinal chamou atenção justamente por ocorrer poucos dias depois de a Polícia Federal tornar público, na sexta-feira (11), o inquérito que investiga o senador por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no caso apelidado de “Dark Horse”.
O avanço de Flávio é puxado sobretudo pelo Sudeste, onde ele já abre 16 pontos de vantagem sobre Lula (47% a 31%), enquanto o presidente mantém folga confortável no Nordeste (60% a 28%).
De todo modo, o cálculo político que já circula entre socialistas pernambucanos é claro: se as urnas de outubro confirmarem Flávio no Planalto e João Campos no Campo das Princesas, o PSB local terá de administrar, desde o primeiro dia de mandato, o risco de reviver o isolamento institucional que definiu boa parte dos oito anos de Paulo Câmara, desta vez, porém, sem a pandemia como justificativa e com a economia do Estado mais exposta a decisões orçamentárias tomadas em Brasília.




