Lula venceu nas urnas, mas começará o quarto mandato praticamente sem base no Congresso. Só o PL chega com 121 deputados, e a direita ampliada, com quase 303 deputados, tem força para impor derrotas, travar pautas e manter o governo sob pressão.
Um impeachment depende de 342 votos na Câmara. A oposição ainda precisa construir essa maioria, mas a distância já começa pequena. Pedidos de afastamento, CPIs e bloqueios à agenda presidencial, tudo isso já está ao alcance pleno da oposição ao governo Lula.
A eleição para a presidência da Câmara, em fevereiro de 2027, será decisiva. Quem ocupar a cadeira controlará o andamento dos pedidos e terá influência direta sobre a capacidade de Lula governar. A disputa pelo comando da Casa já faz parte da batalha pelo próximo mandato.
Nesse cenário, Geraldo Alckmin ganha toda a atenção. O vice reeleito tem trânsito no centro, interlocução com empresários e um perfil que facilita conversas com setores resistentes ao PT. Sua discrição preserva espaço para negociar enquanto o presidente leva os ataques.
Isso não faz de Alckmin um conspirador nem permite antecipar qualquer ruptura. Sua relevância cresce pela posição que ocupa.
O Congresso de 2027 promete cobrar caro pela governabilidade. Lula terá de negociar a cada crise. Alckmin poderá ganhar importância em cada uma delas. E, quem sabe, ele não chegue ao poder?
Ninguém vence o cara paciente quando o tempo trabalha a seu favor.