Redes Sociais

Buscar


Ninguém vence o cara paciente

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 28/10/2026, 11h24 · Atualizado às 11h33
Geraldo Alckmin sorrindo

Foto: Reprodução

Lula venceu nas urnas, mas começará o quarto mandato praticamente sem base no Congresso. Só o PL chega com 121 deputados, e a direita ampliada, com quase 303 deputados, tem força para impor derrotas, travar pautas e manter o governo sob pressão.

Um impeachment depende de 342 votos na Câmara. A oposição ainda precisa construir essa maioria, mas a distância já começa pequena. Pedidos de afastamento, CPIs e bloqueios à agenda presidencial, tudo isso já está ao alcance pleno da oposição ao governo Lula.

A eleição para a presidência da Câmara, em fevereiro de 2027, será decisiva. Quem ocupar a cadeira controlará o andamento dos pedidos e terá influência direta sobre a capacidade de Lula governar. A disputa pelo comando da Casa já faz parte da batalha pelo próximo mandato.

Nesse cenário, Geraldo Alckmin ganha toda a atenção. O vice reeleito tem trânsito no centro, interlocução com empresários e um perfil que facilita conversas com setores resistentes ao PT. Sua discrição preserva espaço para negociar enquanto o presidente leva os ataques.

Isso não faz de Alckmin um conspirador nem permite antecipar qualquer ruptura. Sua relevância cresce pela posição que ocupa.

O Congresso de 2027 promete cobrar caro pela governabilidade. Lula terá de negociar a cada crise. Alckmin poderá ganhar importância em cada uma delas. E, quem sabe, ele não chegue ao poder?

Ninguém vence o cara paciente quando o tempo trabalha a seu favor.