A classe médica de Pernambuco está sendo arrastada para uma campanha de desconfiança pública com viés eleitoral. Ao tentar transformar uma fala da governadora Raquel Lyra em suspeita de esterilizações em massa sem consentimento na rede estadual, adversários políticos lançam sobre médicos e hospitais uma acusação grave, que exige provas.
A governadora deve responder pelo que diz. Sua declaração foi infeliz, merece cobrança e está sujeita ao escrutínio do debate público. Ela pediu desculpas neste domingo e reconheceu o erro. A responsabilidade por essa fala, porém, não pode ser transferida aos profissionais que atendem a população.
Na reta final da disputa pelo governo de Pernambuco, aliados e políticos do PSB ligados a João Campos passaram o domingo explorando uma declaração gravada em maio de 2025. O próprio candidato afirmou ter assistido ao vídeo “com indignação” e escreveu que “fazer sem ela saber não é cuidado. É violência. É crime previsto em lei.”
A gravidade dessa acusação exige responsabilidade. Uma declaração infeliz da governadora, por si só, não comprova que médicos tenham realizado procedimentos sem autorização. Não há qualquer demonstração de que isso tenha ocorrido.
Ainda assim, um disparo em massa com a pergunta “quantas foram laqueadas sem saber?” passou a circular nas redes. Essa formulação já pressupõe a existência de uma rede de profissionais envolvida nisso, sem apresentar qualquer elemento que comprove a acusação.
É a confiança entre médicos e pacientes que fica exposta. Uma mulher que procura atendimento na rede pública precisa ter segurança para conversar com a equipe, esclarecer dúvidas e decidir sobre o próprio corpo. Usar uma fala absurda para alimentar suspeitas indiscriminadas contra quem presta esse atendimento busca produzir medo muito além da eleição.
Os profissionais de saúde merecem respeito. A credibilidade da saúde pública não pode ser usada como instrumento eleitoral, com acusações contra profissionais que cuidam da população.