Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma campanha de setores bolsonaristas passou a incentivar empresários a demitir funcionários que votaram no presidente. O movimento, difundido nas redes sociais, também inclui listas de boicote a estabelecimentos identificados com a esquerda.
A ofensiva já mobilizou as autoridades. O Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou 3.290 denúncias de assédio eleitoral em 2026, das quais 1.143 foram registradas nos três dias seguintes ao segundo turno. Os registros incluem ameaças, constrangimentos e relatos de dispensas, não significando que todas as demissões tenham sido comprovadas.
A perseguição ganhou respaldo público de políticos. No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau (PL) foi proibida pela Justiça do Trabalho de incentivar demissões por convicção política. No Paraná, o deputado federal eleito Guilherme Kilter (Novo) foi alvo de recomendação do MPT após estimular empresários a dispensar eleitores de Lula.
A prática guarda uma semelhança histórica com mecanismos empregados pelo nazismo. Em 1933, o regime de Adolf Hitler organizou boicotes a estabelecimentos de judeus e aprovou medidas para afastar judeus e opositores políticos de cargos públicos. A exclusão econômica tornou-se um instrumento de perseguição.
Naturalmente, as situações não são equivalentes em dimensão ou gravidade. O nazismo instituiu uma política de perseguição racial e genocídio. O paralelo está no método de utilizar o trabalho e a sobrevivência econômica como instrumentos de punição pela identidade ou convicção de indivíduos.
No Brasil, a Constituição protege a liberdade política, enquanto a legislação trabalhista proíbe práticas discriminatórias. Demissões motivadas pelo voto podem resultar em reintegração, indenizações e responsabilização dos empregadores.
O episódio revela uma contradição. Setores que reivindicam liberdade individual defendem retirar o sustento de trabalhadores por exercerem livremente o direito de votar.