O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, mandou a Meta retirar do ar em até duas horas um áudio atribuído ao senador eleito Gustavo Gayer (PL) publicado no canal Tropa do Flávio, no WhatsApp, ligado à campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Deputado federal por Goiás, Gayer foi eleito senador em 4 de outubro. A multa por descumprimento é de R$ 100 mil por hora.
Publicado na manhã desta sexta-feira (23), o áudio afirma que mesários estariam votando no lugar de eleitores ausentes, em favor do presidente Lula (PT), e convoca eleitores a fiscalizar as seções. “A publicação não apresenta apenas acusação generalizada e desacompanhada de elementos concretos de comprovação, mas reproduz narrativa já expressamente desmentida pela Justiça Eleitoral”, escreveu o ministro.
Cueva proibiu os administradores e representantes da campanha de publicar ou autorizar a republicação do áudio ou de conteúdo semelhante, sob multa de R$ 100 mil por postagem. Ele negou, porém, o pedido de suspensão do canal, feito pela coligação de Lula, mas advertiu que a medida pode ser revista se as condutas continuarem. A decisão será submetida ao plenário.
No mesmo dia, o TSE rejeitou o pedido da campanha petista para proibir as plataformas de recomendar os perfis do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do empresário Pablo Marçal. Os dois, porém, ficam proibidos de divulgar conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial, materiais manipulados e acusações criminosas, e Meta e X devem, a partir deste sábado (24), deixar de recomendar proativamente o conteúdo político dos dois a quem não os segue. A dupla já havia sido proibida de republicar posts vetados pela corte.
Cueva também deu 24 horas para Meta e X explicarem a remoção de publicações políticas e os critérios de distribuição de conteúdo, depois de a campanha de Lula citar a retirada de um vídeo com críticas a Flávio apresentado pelo cantor MC Cabelinho. O ministro ressalvou que os elementos apresentados ainda não permitem concluir que houve tratamento diferente por orientação política e determinou revisão humana do material.
A disputa sobre redes sociais se intensificou na reta final. Também nesta sexta, o ministro Floriano de Azevedo Marques impediu nova retirada do canal Exército do Lula, alvo de ações da campanha de Flávio.