O grupo de advogados Prerrogativas acionou a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral para pedir a investigação dos pagamentos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e do partido à Elytron, empresa de cibersegurança que, segundo reportagem publicada na sexta-feira (16), tentou vender nos Estados Unidos um sistema de inteligência artificial para manipulação política em eleições. O pedido, apresentado no sábado (17), é assinado pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida.
Pelos registros no DivulgaCand, a campanha de Flávio pagou R$ 600 mil à empresa, em notas fiscais que descrevem o serviço como “consultoria em tecnologia da informação”, e o PL declarou outros R$ 131,9 mil. A prestação de contas parcial do candidato, porém, registrou despesa de R$ 1 milhão com a Elytron. “A questão é saber se, por trás do discurso de segurança digital, houve contratação de uma máquina de desinformação para interferir na eleição brasileira”, afirmam os advogados, que cobram a abertura dos contratos, explicações sobre a diferença de valores e sobre a eventual participação de estruturas estrangeiras.
Os documentos que motivaram o caso foram entregues pelo americano Vincent Edward Reed, que atuou como consultor para o braço português da empresa. Eles descrevem uma oferta que incluía mapear grupos de eleitores, criar contas falsas, espalhar boatos e usar “técnicas de guerra psicológica” para desacreditar adversários. Reed diz ter denunciado a operação ao FBI e a uma comissão da Câmara dos Estados Unidos, sem que as apurações avançassem. A própria reportagem ressalta que não há evidências de que o sistema tenha sido usado por Flávio ou pelo PL nas eleições de 2026.
A campanha de Flávio afirma que “não contrata nenhum serviço que viole a legislação eleitoral” e que o contrato foi exclusivamente de segurança da informação, para proteger os sistemas de comunicação contra ataques cibernéticos. A Elytron nega oferecer “operações clandestinas de manipulação da opinião pública”, diz que o contrato inicial de R$ 1 milhão foi cancelado e substituído por um aditivo de R$ 600 mil e afirma que Reed nunca teve relação com a Elytron do Brasil.
Segundo a reportagem, dirigentes da empresa mantêm ligações com o entorno de Pablo Marçal, que integra a campanha de Flávio desde setembro e já é alvo de uma ação do PT que pede a cassação da chapa por uso de seus perfis nas redes. A disputa sobre o ambiente digital também chegou ao TSE com a queixa de Flávio contra a Meta. O segundo turno será no domingo (25).
Foto: Carlos Moura/Agência Senado