Neste domingo de segundo turno, Lula e a campanha petista multiplicaram denúncias de redução proposital da frota de ônibus em São Paulo, Salvador, Recife e outras cidades. O presidente chegou a chamar empresários e prefeitos de “bandidos” e “mau-caráter”, pediu prorrogação do horário de votação e anunciou que, depois das eleições, irá atrás da prisão de gestores.

O problema é a falta de lastro. Não existe, em tempo real, comparação pública e auditável do efetivo de ônibus do primeiro turno com o de hoje que comprove redução deliberada. Em várias cidades a operação de domingo de eleição nunca foi idêntica à de dia útil, e a Justiça já havia determinado 100% da frota em vários locais. Relatos de pontos lotados existem, mas não se transformam automaticamente em crime eleitoral orquestrado.

Em Salvador o caso ficou ainda mais revelador. Ônibus ficaram retidos nas garagens porque sindicalistas colaram adesivos com o número 13 do PT nos veículos. Trata-se de propaganda irregular que a legislação eleitoral proíbe. A Prefeitura e o secretário de Mobilidade argumentam que os coletivos só saíram depois da retirada dos adesivos. O TRE determinou a circulação integral e chegou a ordenar a prisão do secretário, mas a origem do atraso foi o próprio adesivaço petista.

Isso não acontece isolado. Nas últimas semanas o PT tem insistido que a Meta prioriza Flávio Bolsonaro em algoritmos, recomendações e ferramentas de IA, levando o TSE a determinar que a empresa se abstenha de favorecer determinados perfis. A narrativa se repete: transporte, redes sociais e “banditismo” de adversários. Tudo converge para a mesma conclusão de que a eleição estaria sendo sabotada.

Quando o candidato que lidera as pesquisas e controla a máquina federal começa a construir, no dia da votação, um conjunto de justificativas de última hora sem prova sólida de redução proposital, o alerta se acende. Não se trata mais de garantir o voto. Trata-se de preparar o terreno para, se o resultado não for o esperado, não aceitá-lo.