Desde que a reeleição foi instituída, em 1997, cinco presidentes tentaram permanecer no cargo por mais quatro anos. Quatro conseguiram. Fernando Henrique Cardoso, em 1998; Lula, em 2006; Dilma Rousseff, em 2014; e, agora, novamente Lula, em 2026.
A única exceção foi Jair Bolsonaro, derrotado pelo próprio Lula em 2022. Portanto, 80% das tentativas de reeleição presidencial no Brasil terminaram em vitória do governante, embora a amostra histórica seja pequena.
A vantagem de quem governa não significa necessariamente aprovação popular elevada. O exercício do poder proporciona visibilidade permanente, capacidade de apresentar realizações, articulação política e uma estrutura partidária construída ao longo do mandato.
Há também um componente importante: para uma parcela do eleitorado, a continuidade representa menos incerteza do que a mudança, especialmente quando a alternativa provoca forte rejeição.
Nada disso tornou a eleição de 2026 fácil. Lula conquistou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos, numa disputa marcada pela polarização e por uma virada histórica em relação ao primeiro turno.
O resultado demonstrou a força eleitoral do bolsonarismo, mas também seus limites para conquistar a maioria nacional, mesmo diante do desgaste natural de um governo em seu quarto ano.
A reeleição de Lula tampouco representa um cheque em branco. Quase metade dos votos válidos foi destinada ao adversário, evidenciando um país profundamente dividido.
No fim, o resultado contrariou o favoritismo construído em torno de Flávio nas últimas semanas, mas confirmou uma regularidade da política brasileira.