O bolsonarismo sofreu a primeira grande queda com a derrota de Jair em 2022. A de Flávio agora, em 2026, completa o ciclo de duas derrotas sequenciais do núcleo familiar para a esquerda na disputa pelo Planalto. Flávio chegou ao segundo turno à frente no primeiro turno (cerca de 47% contra 45% de Lula), mas não sustentou a vantagem e foi derrotado por volta de 48% a 52%. Era o nome da família com maior estrutura, mandato de senador e alguma capacidade de articular o campo. Nenhum outro filho tinha esse volume de competitividade nacional.
A vitória da direita no Legislativo é outro fenômeno. O PL e aliados ampliaram presença na Câmara e no Senado, mas isso não se traduz automaticamente em força da Família Bolsonaro. A tendência clara é o crescimento de nomes mais independentes do núcleo familiar. Com Flávio deixando o Senado ao concorrer à Presidência, sobram figuras como Carlos Bolsonaro (Carluxo), eleito senador por Santa Catarina, e Jair Renan Bolsonaro, eleito deputado federal pelo mesmo estado. Ambos têm baixíssima capilaridade mesmo entre a base bolsonarista. Carlos com trajetória de vereador no Rio e transferência recente de domicílio. Renan, o caçula, com votação modesta e pouco reconhecimento nacional.
Em contraponto, sobressaem nomes jovens fora do clã: Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, deputados federais com votações expressivas, forte presença digital e capacidade de mobilizar eleitores sem depender do sobrenome Bolsonaro. São figuras com força própria no PL e no campo conservador. O problema é que essa turma gosta de se dividir. A ausência de um líder familiar com competitividade real deixa o campo ainda mais fragmentado, com múltiplos polos disputando a hegemonia na direita.