A estatal Infra S.A. prevê concluir até o fim do ano o estudo que vai dizer se vale a pena investir dinheiro público no trecho pernambucano da Transnordestina. O documento é a peça que falta para o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizar as obras físicas entre Salgueiro, no Sertão, e o Porto de Suape, no Grande Recife.

O prazo foi dado pelo diretor-presidente da estatal, Jorge Bastos, que diz negociar a retomada com o relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus. A análise do processo chegou a ser esperada para a semana passada, mas saiu da pauta do tribunal.

Em 13 de maio, o TCU mandou o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. suspenderem novos compromissos financeiros para o ramal, estimado em R$ 3,43 bilhões, por falta de estudos atualizados de viabilidade econômica e social e por pendências ambientais e fundiárias. Por enquanto, só o projeto executivo do trecho de 73,32 quilômetros entre Custódia e Arcoverde pode andar. O contrato, de R$ 312,8 milhões, é com o Consórcio ACA Transnordestina.

A obra começou em 2006 e foi interrompida em 2016. O traçado de cerca de 540 quilômetros abriria uma saída ferroviária para o Polo Gesseiro do Araripe, a avicultura e a indústria de confecções. No Ceará, onde o governo federal anunciou R$ 600 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, o ramal avança e já capta cargas pernambucanas, como o gesso.

Bastos defende que a ferrovia seja avaliada além do retorno financeiro, já que o investimento público pode viabilizar um trecho que, de início, não atrairia a iniciativa privada. A governadora Raquel Lyra (PSD) aposta que parceiros privados vão aparecer assim que as obras forem retomadas. Um estudo da Sudene entregue ao TCU em julho estima retorno social de R$ 4,76 bilhões e taxa de retorno econômico de 15,53% para o trecho.