A malha aérea ligada ao Nordeste encolheu de última hora para novembro. Dados do Sistema de Registro de Operações da Anac mostram que a região perdeu 1.172 voos regulares na comparação entre a programação informada na primeira e na segunda quinzena de setembro. A Gol concentra a maior parte dos cortes, com 959 voos a menos, cerca de 82% do total. A Latam retirou 201 operações, e a Azul, 12.

A redução da Gol equivale a 13,8% do que a empresa havia planejado para a região, quase um em cada sete voos. No mesmo intervalo, a companhia ampliou a oferta em rotas do Sudeste sem ligação com o Nordeste, com 179 novos voos e 34 mil assentos. Fora da região, as demais ligações domésticas tiveram saldo positivo de 147 voos e cerca de 28 mil assentos, enquanto o Nordeste perdeu aproximadamente 170 mil lugares.

A ligação entre Recife e Salvador caiu de 166 para 88 operações da Gol. Salvador perdeu quase 20% dos voos programados pela empresa, de 2.587 para 2.062, e a rota entre Congonhas e Maceió despencou de 68 para 8 voos. A partir do fim de janeiro de 2027, a Gol também suspende os voos diretos de Recife, Natal, Fortaleza e Salvador para Buenos Aires, dentro de um corte de 38 rotas.

A Gol atribui os ajustes à alta do querosene de aviação, que dobrou de preço e já representa cerca de 40% dos custos da empresa, e diz que manterá a conectividade com conexões e acordos com parceiras. A Latam afirmou que a malha passa por ajustes regulares conforme a demanda. A Azul, que tem no Recife seu maior hub no Nordeste, informou oferecer cerca de 240 voos mensais entre Recife e Salvador e anunciou mais de 2,4 mil voos extras para a região entre 5 de dezembro e 14 de fevereiro.

Neste domingo de votação, o Ministério de Portos e Aeroportos pediu à Anac que acompanhe eventuais cancelamentos que possam afetar o direito de voto. Segundo as companhias, três decolagens foram suspensas por motivos operacionais e os passageiros foram reacomodados, e a agência informou que as operações seguem normais.