Horas depois da derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula (PT), deputados federais anunciaram pedidos para apreender o passaporte do senador. A primeira foi Duda Salabert (Psol-MG), que disse ter feito a solicitação na noite deste domingo (25), sem informar a qual autoridade.
“O próximo passo desse bandido é tentar fugir do Brasil para não enfrentar os vários inquéritos em seu nome. Precisa ser preso logo. Não podemos permitir que ele se junte ao irmão nos EUA para tramar contra a soberania nacional”, escreveu a deputada nas redes sociais. Ela não apresentou provas de que Flávio planeje deixar o país.
O deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), pastor evangélico do Rio de Janeiro, afirmou ter protocolado uma representação na Procuradoria-Geral da República pedindo a proibição de saída do país e a entrega do passaporte. “O Flávio pode querer fugir do país e eu não vou deixar”, disse. Já Rogério Correia (PT-MG) informou que acionaria o STF nesta segunda-feira (26) com o mesmo objetivo.
Flávio é investigado em dois inquéritos. Um, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura supostos repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, ao filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O senador diz ter buscado patrocínio privado e nega ter oferecido vantagens.
O outro examina suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios com financeiras e casas de apostas que envolvem o advogado Willer Tomaz, cujos bens e passaportes já foram alvo de decisão do ministro Alexandre de Moraes. Ambos negam irregularidades.
Sem se reeleger, Flávio ficará sem mandato pela primeira vez em 24 anos a partir de fevereiro de 2027. Mesmo fora do Senado, o STF pode manter a competência sobre fatos ligados ao exercício do cargo, conforme entendimento firmado pela Corte em 2025.