O vereador Eduardo Moura (Novo), eleito deputado federal em 4 de outubro, saiu das urnas como o terceiro candidato à Câmara mais votado no Recife e já é citado nos bastidores do partido como nome da direita para a disputa pela Prefeitura em 2028. Na capital, ele teve 54.534 votos, atrás apenas de Jones Manoel (PSOL) e Pedro Campos (PSB).
Moura deixou para trás dois nomes conhecidos da direita pernambucana, o ex-ministro Gilson Machado (PL), com 41.982 votos no Recife, e o ex-prefeito de Jaboatão Anderson Ferreira (PL), com 41.193. No estado inteiro, o vereador somou 113.482 votos, e a chapa do Novo precisou de mais 89.545 votos dos outros candidatos para alcançar o quociente de cerca de 200 mil.
O crescimento é recente. Em 2022, o Novo lançou só seis candidatos a deputado federal em Pernambuco. A virada começou em 2023, com a chegada do advogado Tecio Teles à presidência estadual. Em 2024, ele disputou a Prefeitura do Recife e ajudou a eleger dois vereadores, Eduardo Moura e Felipe Alecrim, que se destacaram na oposição ao então prefeito João Campos (PSB). Neste ano, Tecio montou a chapa que levou o partido à Câmara e à Alepe.
Além de Moura, o Novo elegeu o deputado estadual Renato Antunes, com 32.200 votos, e o candidato ao Senado Carlos Sant’Anna teve 698.316 votos, à frente do deputado federal Túlio Gadelha. O partido teve 3,86% dos votos válidos para a Câmara em Pernambuco, resultado que ajudou a legenda a superar a cláusula de desempenho no país.
Tecio diz que ainda é cedo para falar em candidatura a prefeito, embora Moura já tenha se colocado à disposição. “A eleição de presidente está sendo encerrada este domingo, as posses serão no próximo ano e temos muito caminho pela frente”, afirmou. Para ele, com a cláusula vencida, o partido passa a ter tempo de TV, fundo eleitoral e partidário.
A cientista política Priscila Lapa avalia que o avanço do Novo é um sintoma do bolsonarismo, que fortaleceu lideranças além do PL. Em 2028, ela projeta uma disputa entre o grupo da governadora Raquel Lyra (PSD), o grupo do prefeito Victor Marques (PCdoB) e de João Campos, e nomes ligados ao bolsonarismo, com o desafio de transformar votos de Legislativo em voto majoritário.