A Comissão Executiva Nacional do PSB, presidida por João Campos, aprovou na quarta-feira (14), em Brasília, uma resolução que autoriza a direção do partido a conduzir tratativas políticas e jurídicas para formar uma federação partidária ou incorporar outras legendas. A decisão foi tomada por unanimidade, mesmo com o PSB tendo superado a cláusula de desempenho.

O movimento mira siglas que ficaram abaixo da cláusula de barreira em 2026, caso do PDT e das federações Psol/Rede e Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade. Sem cumprir os requisitos, essas legendas passam a ter restrições no acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita. O PDT já convocou convenção nacional para o dia 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno, para discutir federação, incorporação ou fusão.

Na reunião, João Campos fez um balanço positivo da eleição para a sigla. “Tivemos um resultado que me deixa feliz porque a gente resistiu crescendo e tenho certeza de que a gente vai dar passos ainda mais largos”, afirmou. Para o ex-prefeito do Recife, “o crescimento da direita aconteceu principalmente em cima do centro”, o que limitou o avanço da esquerda e da centro-esquerda sobre esse eleitorado.

Segundo o partido, o PSB somou 5 milhões de votos para a Câmara dos Deputados, 20% a mais que em 2022, e ganhou três cadeiras no Senado com Renato Casagrande, Cid Gomes e João Azevêdo. Nas assembleias, elegeu 42 deputados estaduais em 11 estados. Pernambuco tem a segunda maior bancada estadual da legenda, com nove eleitos, atrás apenas do Ceará, com 13.

Em Pernambuco, a conversa com o PDT tem peso próprio. A sigla abriga a senadora eleita Marília Arraes, neta de Miguel Arraes e adversária de João Campos no segundo turno da Prefeitura do Recife em 2020. Uma federação colocaria Marília e o PSB sob o mesmo guarda-chuva partidário, e a lei exige que esse tipo de aliança dure no mínimo quatro anos, prazo que alcança a eleição municipal de 2028.

A abertura do diálogo não significa acordo fechado. Para João Campos, o desafio é conciliar afinidades políticas com interesses estaduais e espaços de comando nas direções. A reorganização chega no momento em que o PSB, derrotado por Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo governo, seguirá fora do Palácio do Campo das Princesas por mais quatro anos.