Boca de urna sem precedentes em Pernambuco
No dia em que o eleitor deveria entrar na seção, votar e sair, a Região Metropolitana do Recife amanheceu com outra rotina. Grupos de pessoas de amarelo se repetiam na calçada, na esquina e na frente de escolas. O problema não era a camiseta. Era a abordagem.
Fui às ruas. O que vi não parecia um caso isolado de militante insistente. Em diferentes pontos, o roteiro se repetia. O eleitor passava, ouvia a pergunta “já votou?” e, a partir daí, era chamado para conversar, tirado do fluxo de quem apenas queria entrar ou sair da seção.
No meu próprio colégio eleitoral, a cena estava montada na frente da escola. Denunciei no local. Um fiscal foi até o grupo e dispersou as pessoas naquele momento. A abordagem parou ali. O método, porém, aparecia em outros pontos da Região Metropolitana.
Eu nunca vi na minha vida uma operação tão grande e tão descarada de boca de urna. O pessoal vestia a camisa da cor do partido de João Campos. Eu nunca vi isso.
A legislação eleitoral é clara. No dia da votação, é permitida a manifestação individual e silenciosa de preferência política. O que não pode é aglomeração com vestuário padronizado, abordagem, aliciamento ou tentativa de persuadir o eleitor. A arregimentação e a propaganda de boca de urna são crimes eleitorais.
É essa fronteira que o Movimento Amarelo parece testar neste domingo.
Não se trata de alguém passar pela rua com uma camisa de determinada cor. Trata-se, nos casos observados, de grupos posicionados próximos aos locais de votação e abordando eleitores no caminho da urna.
Dispersar resolve o flagrante daquele minuto. Não resolve a repetição do método.
Se o mesmo padrão aparece de escola em escola, a pergunta deixa de ser apenas quem estava em cada calçada. Passa a ser até onde a fiscalização conseguirá impedir que a abordagem ao eleitor vire parte da estratégia do dia da votação.
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