Num jantar que tive hoje entre amigos, neste sábado, a eleição foi um dos assuntos principais. Éramos sete. Não era mesa de militante nem de quem trabalha com política, mas a maioria ali se dizia de esquerda.

Quase todos afirmavam que votariam em Humberto Costa e Marília Arraes para o Senado. Um ou outro citou Túlio Gadêlha.

O problema começou quando resolvi provocar a mesa e perguntar se cada um sabia o número de quem pretendia votar na urna.

Parte das pessoas nem sabia que, nesta eleição, são dois votos para senador. E ninguém soube dizer de cabeça o número de Marília.

Uma pessoa pegou o celular e foi procurar na rede social dela, mas teve dificuldade para encontrar. Outra conseguiu localizar a informação. Era justamente o tipo de dado que, na véspera da eleição, já deveria estar na ponta da língua do eleitor.

Há uma explicação possível para isso. Marília já carregou vários números ao longo da trajetória eleitoral. Já foi 40, 13, 77 e agora aparece com o 123. Foram partidos e disputas diferentes. Para o eleitor menos envolvido com política, a memória do nome pode até permanecer, mas nem sempre acompanha as mudanças de legenda e de número.

Agora, Marília concorre com o 123. Humberto Costa, com o 130. São dois votos para duas vagas. Túlio Gadêlha também aparece com um número diferente daquele que parte do eleitorado pode ter guardado de eleições anteriores.

E aí está o ponto.

Pesquisa mede intenção pelo nome. A urna vai cobrar número.

Claro que sete pessoas não são uma pesquisa eleitoral. Mas o episódio me mostrou uma coisa curiosa. Marília parece ter voto. O problema é saber se o 123 também está fixado.

Talvez esse seja o maior risco dela nesta reta final. A campanha pode ter conseguido consolidar a candidata sem conseguir consolidar o principal na hora da urna.