No segundo guia eleitoral exibido na segunda-feira (31), a governadora Raquel Lyra (PSD) apostou em um tom biográfico para apresentar a própria trajetória ao eleitor. Entre os trechos, citou a aprovação em concurso para procuradora “sem furar fila”, além de passagens como delegada e a gestão em Caruaru.
A frase ecoa um episódio da Procuradoria-Geral do Município do Recife, ligado ao concurso de 2022 e ampliado no fim de 2025. Na ocasião, a Prefeitura autorizou a migração de um candidato da ampla concorrência para a lista de pessoas com deficiência (PcD), com base em laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA), e o reposicionou à frente de Marko Venício Batista, então primeiro da cota.
A Associação dos Procuradores e setores da oposição questionaram o ato; a gestão municipal defendeu o procedimento como técnico e alinhado à legislação de PcD. Em 31 de dezembro de 2025, a própria Prefeitura revogou a reclassificação. Marko tomou posse em janeiro de 2026. Pedido de impeachment foi rejeitado na Câmara e a proposta de CPI acabou arquivada.
No guia, Raquel não detalhou nomes nem processos: usou a lembrança do concurso para reforçar a narrativa de carreira construída por mérito, enquanto disputa a reeleição ao governo.



