Candidato ao Senado pelo PL, o deputado federal Mendonça Filho usou a segunda edição do PodJá, comandado pelo jornalista Jamildo Melo, para carimbar de vez o seu lugar no palanque de Raquel Lyra (PSD). Perguntado sobre a relação com a governadora, foi direto: se eleito, será o senador dela — e disse ter “certeza” de que é o senador do coração da chefe do Executivo estadual. O episódio completo vai ao ar neste sábado (29), às 14h, no canal do Jamildo no YouTube.

Na conversa, Mendonça tratou a própria candidatura como uma via independente, sustentada pelo eleitorado conservador e liberal e afinada com a pauta do PL. É nesse espaço que ele vem se movimentando para consolidar a posição de terceiro senador no arco de apoio à reeleição da governadora.

O deputado fez questão de datar a lealdade. Lembrou que esteve ao lado de Raquel ainda no segundo turno de 2022 e atravessou com ela os primeiros anos de governo, quando o desgaste era grande e a popularidade, baixa. A alfinetada veio na sequência, dirigida aos que chegaram depois: “gatos de hotel”, na definição dele, que só se aproximaram quando os números de aprovação começaram a subir. Na leitura de Mendonça, apoio que nasce em curva ascendente vale menos do que aquele que resistiu à travessia.

Segurança pública foi o trecho mais longo da sabatina no PodJá. Relator da PEC da Segurança na Câmara, ele defendeu que o crime precisa “custar mais caro” e destacou dispositivos do texto: fim da progressão de regime para chefes de facção e para autores de crimes contra mulheres e crianças. Também se disse favorável à redução da maioridade penal para 16 ou 17 anos nos casos de crimes violentos, com cumprimento em unidades separadas das dos adultos.

Sobre o Supremo Tribunal Federal, Mendonça apresentou uma agenda de limites institucionais: mandatos fixos de 12 a 15 anos para ministros e quorum de três quintos do Senado para aprovar indicados. Para ele, ninguém na Corte é intocável — havendo fundamento constitucional, um ministro pode responder a impeachment, como já ocorreu com presidentes da República, casos de Collor e Dilma. O parlamentar também criticou a decisão judicial que impediu Flávio Bolsonaro de manter contato com o pai, Jair Bolsonaro, classificando a medida como desumana.

Questionado sobre a Transnordestina, lembrou que, como governador, cumpriu a ordem de serviço assinada em 2006 e atribuiu ao ritmo lento do governo federal os atrasos no ramal que deveria chegar a Suape. No debate sobre reforma política, marcou divergência com Flávio Bolsonaro: em vez do fim da reeleição, prefere manter o mandato de quatro anos com direito a uma recondução, instrumento que enxerga como forma de o eleitor cobrar resultados.

O PodJá passou a ter duas edições semanais, às quartas e aos sábados, sempre às 14h. Marília Arraes já passou pela bancada e Eduardo da Fonte grava o episódio que vai ao ar na quarta-feira (2).