A governadora Raquel Lyra (PSD) encerrou nesta quarta-feira (26) a série de sabatinas do Diario de Pernambuco com os postulantes ao Palácio do Campo das Princesas. Sem declarar voto na disputa presidencial, recusou o enquadramento bolsonarista que circula nas redes. “Eu sou pernambuquista. Vão querer me rotular.”

A postura replica 2022, quando, no segundo turno contra Marília Arraes, também não fez campanha para Lula nem para Jair Bolsonaro. Nesta quarta, ligou a independência à relação institucional com o governo federal. “Diziam que eu não ia conseguir construir pontes com o governo federal, e os investimentos estavam acontecendo em Pernambuco.” Afirmou ter ido “mais de 100 vezes a Brasília” e citou 26 mil unidades habitacionais, a retomada do Canal dos Sertões e obras do Minha Casa, Minha Vida.

Protagonismo, Transnordestina e o palanque plural

“Pernambuco, de fato, perdeu o protagonismo. Agora, não foi no nosso governo”, disse, ao comparar o estado a vizinhos do Nordeste. Sobre a Transnordestina no trecho Salgueiro–Suape, afirmou que a obra federal, retomada por decisão de Lula após mobilização estadual, deve ser entregue antes de 2030. Lembrou que, em dezembro de 2022, o ramal pernambucano foi retirado “enquanto assistiram calados”.

Raquel contrapôs o isolamento da gestão anterior: “O governo anterior brigou com três presidentes da República: com Dilma, brigou com Temer, brigou com o Bolsonaro. Quem perdeu? Pernambuco.” No palanque, admitiu gente que “pensa diferente”, unida em torno do que chamou de virada de chave. A tese eleitoral que leva ao guia é essa: campanha estadual, diálogo federativo e recusa de selo nacional.