Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no domingo (25) pode recolocar em discussão um rumor de 2025: o suposto interesse dos Estados Unidos em obter acesso militar ao aeroporto de Fernando de Noronha, administrado pelo Governo de Pernambuco.
Em maio do ano passado, o portal DefesaNet afirmou que diplomatas ligados ao entorno de Donald Trump articulavam informalmente o uso irrestrito do aeroporto da ilha e da Base Aérea de Natal. O argumento seria um alegado “direito histórico” pelos investimentos americanos na Segunda Guerra Mundial e na Guerra Fria. A informação, baseada em fontes anônimas, não teve confirmação independente.
A aproximação com Washington já integra os planos de Flávio. Recebido por Trump na Casa Branca em maio deste ano, o candidato prometeu, se eleito, integrar o Brasil ao Escudo das Américas, iniciativa de cooperação regional em segurança liderada pelos EUA. Não há indicação pública de que isso envolva instalações militares em Noronha.
A notícia de 2025 levou a questionamentos oficiais. Em agosto, a Força Aérea Brasileira informou à Câmara que não houve pedido nem utilização militar do aeroporto de Noronha pelos EUA e que não existia negociação nesse sentido. O Ministério Público Federal em Pernambuco também arquivou uma apuração sobre suposta ameaça de tomada do aeroporto, por falta de elementos concretos.
A presença americana na ilha tem precedentes: uma base de apoio na Segunda Guerra e uma estação de rastreamento de mísseis entre 1957 e 1965. Contudo, isso não confere direito de reocupação. A movimentação afeta Pernambuco diretamente. Embora acordos militares sejam assunto federal, o estado administra a ilha e o aeroporto e sofrerá um impacto gigantesco na dinâmica do arquipélago.