Quantas vezes uma mulher precisa pedir desculpas?
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A fala de Raquel Lyra sobre laqueadura foi ruim, e a governadora reconheceu. Pediu desculpas em vídeo neste domingo (20), no mesmo dia em que o Metrópoles publicou a gravação. Também voltou a se retratar em sabatina na manhã desta segunda-feira (21), além de reiterar seu posicionamento em coletiva após o evento.
O tema continua sendo martelado por aliados de João Campos a duas semanas da eleição, tentando desidratar a governadora a todo custo.
Um elemento que pode ser lido como uma pitada de machismo e misoginia na campanha socialista.
Compare com o comportamento dos homens, também políticos e disputando a mesma eleição. Em maio de 2024, em Maceió, Lula contou ter perguntado a uma beneficiária do Minha Casa, Minha Vida, mãe de cinco filhos aos 27 anos, quando ela ia “fechar a porteira”, e disse que ela não podia mais ter filhos.
Foi durante uma cerimônia oficial. Não houve protestos, cobrança ao presidente e, por consequência, não há pedido de desculpas de Lula sobre esse assunto.
Em maio deste ano, João Campos brincou com a eucaristia em Jupi e depois disse que o trecho foi retirado de contexto. Explicação houve, desculpas não. E sua vida segue, fazendo ouvidos moucos para uma boa parte do eleitorado católico que ainda espera uma retratação.
Agora PT e PCdoB convocam um ato em frente ao Palácio do Campo das Princesas, com o cartaz “Raquel Lyra, respeite nossos corpos”. Não se tem notícia de faixa semelhante sobre a frase de Lula, por exemplo.
As falas não são idênticas, mas são do mesmo gênero: autoridade pública tratando o corpo de mulheres como assunto seu. A cobrança a Raquel é legítima. E ela prontamente respondeu.
O problema é a régua, que muda conforme quem erra: para uma mulher, pedir desculpas não encerra o assunto; para dois homens, uma explicação, ou nem isso, no caso de Lula, basta.
Se o critério é o respeito aos corpos das mulheres, ele tem que valer para todas as pessoas, inclusive para os aliados.
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