PSB e aliados iniciam ofensiva judicial contra páginas críticas a João Campos
Imagem: Edição
Uma série de ações judiciais recentes indica uma nova frente da disputa política no Recife. A judicialização do embate nas redes sociais passa a ganhar espaço no confronto entre grupos políticos locais. Em menos de 2 meses, nove páginas e perfis digitais críticos ao prefeito do Recife, João Campos do PSB, passaram a ser citados em processos na Justiça Eleitoral e também na esfera criminal.
Os casos envolvem quase 20 publicações questionadas judicialmente e estão distribuídos entre dois tipos de ação. Cinco páginas aparecem como alvo direto de representação eleitoral enquanto quatro perfis foram incluídos em uma queixa criminal relacionada a publicações nas redes sociais.
Entre os alvos da ofensiva estão o jornalista Manoel Medeiros, a página Boa Viagem em Foco, o perfil Recife de Verdade e o Sertão Diário Oficial. Essas páginas se consolidaram como espaços de crítica política nas redes sociais e costumam publicar conteúdos sobre a administração pública e bastidores da política local.
A queixa criminal apresentada à Justiça estadual afirma que publicações feitas por esses perfis teriam atribuído crimes a integrantes do grupo político ligado à João Campos (PSB). Segundo a petição, os conteúdos relacionavam agentes públicos a irregularidades envolvendo uma empresa chamada Sítio Pedra do Onça e a um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Os autores da ação afirmam que as acusações seriam falsas e pedem responsabilização penal por calúnia.
No campo eleitoral, a representação apresentada pelo PSB cita páginas que atuam no ecossistema digital associado à oposição estadual. Entre elas aparecem PE Avança, Juventude Conectada PE, Raquel Lyra 2026, PE com Raquel e Time Raquel 55.
Na ação, o PSB pediu a remoção de dezesseis publicações feitas por páginas críticas ao prefeito. O partido alegou que os conteúdos configurariam propaganda eleitoral antecipada negativa contra João Campos. A análise do caso no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco resultou em decisão que rejeitou a maior parte do pedido. O desembargador responsável pela análise entendeu que grande parte das publicações se enquadra no campo da crítica política e da liberdade de expressão no debate público.
A decisão determinou a retirada de apenas duas postagens específicas. O restante do material permaneceu disponível nas redes sociais enquanto o processo segue em tramitação.
O conjunto dos processos revela a crescente importância das páginas políticas nas redes sociais na disputa de narrativas sobre a gestão do Recife. Nos últimos meses, perfis digitais passaram a exercer papel relevante na circulação de denúncias, críticas e interpretações sobre o cenário político local.
Mais lidas
Repercussão negativa de Porto de Galinhas ultrapassa 120 milhões de visualizações
Veja onde os panfletos de ódio foram espalhados no Centro do Recife
Saiba quem cresce e quem cai nas pesquisas em Pernambuco
Análise completa: Kari Santos é o principal ativo do PT em Pernambuco
Prefeitura do Recife tem um dos maiores custos com publicidade do Brasil
Redes Sociais