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João Campos usa tragédia das chuvas para pré-campanha?

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 02/05/2026

Imagem: Redes Sociais

Enquanto a população de Pernambuco ainda lida com os estragos das fortes chuvas que castigaram o estado no feriado de 1º de maio, com mortes, deslizamentos, alagamentos e milhares de desalojados, o ex-prefeito João Campos (PSB) intensificou sua agenda pública, posicionando-se como principal articulador do apoio federal aos municípios atingidos. Para juristas ouvidos pelo bastidor.pe, esse protagonismo carrega forte potencial de configurar propaganda eleitoral antecipada e até abuso de poder político, especialmente pelo contexto de tragédia e pelo momento pré-eleitoral.

Segundo relatos de prefeitos e postagens do próprio João Campos nas redes sociais, o pré-candidato ao Governo do Estado participou, neste sábado (2), de uma reunião em Goiana com sete gestores da RMR e da Zona da Mata. Na ocasião, articulou uma videoconferência direta com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, e anunciou que levará pessoalmente demandas de obras de prevenção ao presidente Lula. O movimento ganhou ainda mais visibilidade após o próprio Lula ter citado João e o senador Humberto Costa (PT) em postagem oficial no X, ignorando publicamente a governadora Raquel Lyra (PSD) e o atual prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB).

Juristas consultados avaliam que a conduta pode extrapolar os limites da pré-campanha permitida. “A lei autoriza reuniões, contatos partidários e até menção à candidatura, desde que não haja pedido explícito ou implícito de voto. No conjunto da obra, com vídeos em área de desastre, ao aparecer ao lado de prefeitos e a narrativa de mobilização e trabalho, cria-se uma associação direta entre João Campos e a solução da tragédia. Isso gera efeito eleitoral típico de campanha, captando simpatia em momento de dor coletiva”, explicou um advogado eleitoral com passagem pelo TRE-PE.

Outro especialista vai além e aponta possível abuso de poder político. “Embora João não ocupe mais cargo público desde a renúncia em abril, ele usa sua influência como presidente nacional do PSB e sua rede direta com o Planalto para contornar os canais institucionais, como a governadora e prefeitos eleitos. Isso transforma uma calamidade pública em palanque antecipado”, afirmou.

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