Por onde andam os ex-prefeitos do Recife? Um deles perdeu tudo!
Imagem: Edição
A história política recente do Recife é marcada por nomes fortes, reviravoltas e trajetórias que refletem o próprio ciclo de poder na capital. Desde os anos 2000, a cidade foi governada por lideranças de perfis muito distintos. Algumas consolidaram legados duradouros, outras desapareceram do cenário público.
O veterano que nunca saiu de cena
Roberto Magalhães é o mais experiente dos ex-prefeitos e o único que também governou Pernambuco. Foi governador, vice-governador, deputado federal e prefeito do Recife, o que o coloca entre os políticos mais influentes da história recente do estado. Depois de deixar o comando da cidade, retornou à Câmara Federal e manteve protagonismo mesmo fora do Executivo. Aos 92 anos, é lembrado como o último prefeito de direita a governar a capital e segue como uma figura respeitada no cenário político.
O símbolo da virada à esquerda
João Paulo foi o primeiro prefeito do Recife eleito pelo PT, em 2000, e reeleito em 2004. Sua vitória marcou a chegada da esquerda ao poder municipal e desde então, apenas partidos de esquerda governaram a cidade. Ex-presidente da CUT em Pernambuco, consolidou a imagem de líder popular e gestor próximo aos movimentos sociais.
Depois da prefeitura, acumulou cargos e mandatos. Foi deputado federal, superintendente da Sudene no governo Dilma Rousseff e hoje cumpre o quarto mandato como deputado estadual. Sua trajetória simboliza a longevidade e o enraizamento da esquerda no Recife.
O prefeito que perdeu tudo
João da Costa assumiu a Prefeitura em 2009 com o apoio de João Paulo, mas enfrentou um mandato turbulento. A baixa aprovação levou o próprio PT a intervir, obrigando-o a disputar prévias internas para tentar a reeleição. O processo rachou o partido e terminou com a candidatura de Humberto Costa, que ficou em terceiro lugar, atrás de Geraldo Julio, do PSB, e de Daniel Coelho, do PSDB.
A rejeição ao então prefeito contaminou o PT e sepultou sua trajetória política. Depois da derrota, João da Costa viu o capital político e o prestígio desaparecerem. Tentou eleger-se vereador em 2016 e 2020, sem sucesso, assumindo o mandato apenas como suplente entre 2019 e 2020, no lugar de Marília Arraes. Hoje, é o exemplo mais emblemático de quem perdeu tudo após deixar o poder.
O técnico que virou herdeiro político
Geraldo Julio, aliado de Eduardo Campos, consolidou o domínio do PSB na capital. Sua gestão foi marcada por uma agenda de modernização urbana e eficiência administrativa. Foi cotado para disputar o governo do estado em 2022, mas preferiu não entrar na corrida, reforçando o foco na articulação interna do partido. Mesmo fora das urnas, manteve influência suficiente para eleger seu sucessor, João Campos, confirmando sua força dentro do PSB.
O herdeiro em ascensão
João Campos chegou à Prefeitura como símbolo de uma nova geração política e da continuidade do projeto do PSB iniciado por Eduardo Campos. Jovem, comunicativo e hábil nas redes sociais, venceu a disputa de 2020 e se reelegeu em 2024 com ampla vantagem. Hoje, é o gestor municipal mais bem avaliado do Nordeste e aparece entre os nomes com maior potencial para disputar o governo de Pernambuco em 2026. Seu estilo leve e digital ajudou a aproximar a imagem da prefeitura de um público jovem e urbano, mas também o expôs a críticas quando os temas exigem mais seriedade.
Entre legados e ruínas
Da solidez de Roberto Magalhães ao declínio de João da Costa, do peso histórico de João Paulo à ascensão de João Campos, a trajetória dos ex-prefeitos do Recife revela que o poder é efêmero e o legado é o que permanece. Alguns envelhecem cercados de respeito, outros de silêncio.
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