O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou que a Procuradoria Regional Eleitoral investigue uma rede de perfis apontada como estrutura de ataques à governadora Raquel Lyra (PSD) e de promoção do pré-candidato João Campos (PSB). A decisão foi proferida nesta quarta-feira (5) pelo vice-presidente e corregedor do TRE, desembargador Erik de Sousa Dantas Simões.
A determinação tem origem em ação apresentada pelo PSD e ordena a preservação dos dados dos perfis para que se apure a autoria das contas e a eventual existência de prática coordenada de conteúdos ofensivos e difamatórios.
Na decisão, o corregedor destaca padrões que considera incompatíveis com manifestações espontâneas. Segundo o magistrado, dezenas de perfis compartilham “radicais seriais de nomenclatura”. Uma família de contas reúne ao menos sete páginas em torno do termo “ordinário”, variando apenas o município ou o complemento. Outra reúne pelo menos oito contas sob a fórmula “tô com João” ou “com João Campos”, uma para cada cidade do interior.
O TRE classificou esse padrão de criação em série como “pouco típico de manifestação espontânea e individual”.
O caso da mulher de Chã de Alegria
A decisão determina ainda que a Procuradoria Regional Eleitoral investigue a apropriação dos dados pessoais de uma auxiliar de serviços gerais residente em Chã de Alegria, na Mata Norte de Pernambuco. Segundo os autos, os dados da trabalhadora teriam sido utilizados no perfil @joaocampos_platinado para a publicação de conteúdos de ataque à governadora.
O processo passou a tramitar em segredo de justiça a partir da decisão. A apuração agora fica a cargo do Ministério Público Eleitoral, que deverá esclarecer a autoria dos perfis, a eventual coordenação entre eles e o uso dos dados da trabalhadora de Chã de Alegria.