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Mesmo com áudio pedindo R$ 131 milhões a Vorcaro, Flávio é favorito a ganhar eleição

Redação Por Redação em 18/09/2026, 23h30 · Atualizado às 23h32
Lula e Flávio Bolsonaro em montagem

Lula e Flávio Bolsonaro. Montagem: Bastidor.pe / Divulgação

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente de Lula (PT) no segundo turno em pesquisas recentes, a menos de três semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O cenário se sustenta quatro meses depois de o Intercept Brasil divulgar áudio em que ele cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro.

O Intercept publicou em 13 de maio mensagens que indicam negociação direta entre Flávio e o dono do Banco Master para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Segundo relatórios da Polícia Federal, Flávio pediu R$ 131 milhões a Vorcaro, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos.

O efeito imediato apareceu nas pesquisas. Entre 13 e 21 de maio, o Datafolha registrou Flávio caindo de 35% para 31% no primeiro turno, enquanto Lula subiu de 38% para 40%. A AtlasIntel chegou a mostrar Flávio quase 13 pontos atrás na primeira rodada.

O quadro se inverteu em setembro. A AtlasIntel/Bloomberg de 17 de setembro dá 47,2% a Flávio e 46,8% a Lula no segundo turno. O PoderData/Aya, feito de 13 a 16 de setembro, registra 46% contra 44%, enquanto em maio Lula tinha 46% e Flávio, 42%. A Genial/Quaest de 14 de setembro mostrou Flávio à frente pela primeira vez e apontou empate na rejeição, com 55% para cada um. O Datafolha de 17 de setembro ainda tem Lula com 46% e Flávio com 44%.

Nenhuma dessas diferenças supera a margem de erro, e Lula segue à frente em parte das pesquisas de primeiro turno. O argumento de que Flávio é favorito se apoia no movimento dos números e no ambiente político, não em vantagem estatística.

Esse ambiente é dominado pela crise no Supremo Tribunal Federal. Levantamento citado pela CNBC Times Brasil lista seis ministros com alguma ligação com o caso Master, entre os onze da Corte. Nesta sexta, 18, Lula disse que cinco ministros têm ligação direta ou indireta com o caso. A situação de cada ministro é diferente, e ser citado não equivale, por si só, a irregularidade.

A crise também opôs os ministros entre si. Alexandre de Moraes e André Mendonça trocaram acusações, Mendonça afastou o diretor geral da PF, Andrei Rodrigues, e Flávio Dino mandou reintegrá-lo um dia depois. CNI, Fiesp e CNC cobraram que o plenário examine os fatos. Pesquisa Meio/Ideia mostrou que 51,6% concordam que os ministros decidem mais por interesse próprio do que pela lei.

Crises de instituições tendem a recair sobre quem governa, mesmo quando o presidente não tem ligação direta com o investigado. Esse é o argumento central desta análise. Lula não é alvo de acusação formal no caso. Reportagens registraram, porém, um encontro dele com Vorcaro fora da agenda oficial e a atuação de aliados como interlocutores do banqueiro. Lula responde que Vorcaro se tornou banqueiro no governo Bolsonaro.

O cenário pode mudar. A revista Piauí e a CNN Brasil apontaram um repasse de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025, posterior à data que Flávio deu em entrevista para o último pagamento. Vorcaro está preso e negocia delação com a PGR e a PF. Lula afirmou que nem tudo o que existe no caso foi divulgado.

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