Mesmo apoiando Lula, Prefeito do Recife defende diálogo com Flávio Bolsonaro
A dois dias do segundo turno presidencial, o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), adotou um discurso semelhante ao que a governadora Raquel Lyra (PSD) defendeu durante a campanha eleitoral. Mesmo apoiando Lula (PT), Victor afirmou que, depois da votação, será necessário baixar as bandeiras partidárias e trabalhar com quem vencer.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (23), durante a inauguração de um painel em homenagem a Chico Science, na Rua da Guia, no Bairro do Recife.
Victor reafirmou seu apoio à reeleição de Lula e destacou os investimentos federais na capital pernambucana. Segundo o prefeito, o governo petista respondeu por 94% dos novos contratos federais firmados com o município em um período de oito anos, somando mais de R$ 550 milhões.
Ele citou obras de habitação, drenagem, creches, unidades de saúde e o Hospital da Criança como exemplos da parceria com o governo federal.
O trecho mais significativo da entrevista, entretanto, foi a defesa de uma relação institucional com o próximo presidente, independentemente do resultado das urnas.
O posicionamento lembra o discurso do “pernambuquismo”, utilizado por Raquel Lyra para justificar sua neutralidade no segundo turno. Reeleita no primeiro turno, a governadora defendeu que os interesses de Pernambuco devem prevalecer sobre as disputas nacionais.
A aproximação discursiva chama atenção porque Victor integra o grupo político de João Campos (PSB), derrotado por Raquel na disputa pelo Governo de Pernambuco, e participou da mobilização em favor de Lula.
O prefeito também comentou a eleição de Samuel Salazar (MDB) para a presidência da Câmara Municipal no biênio 2027-2028, destacando o alinhamento do vereador com a gestão.
Victor não mudou seu apoio eleitoral. Continua defendendo Lula e reconhecendo a importância das parcerias federais. Mas, a apenas 48 horas da votação, passou a reproduzir a lógica política que Raquel Lyra transformou em uma de suas principais bandeiras.
No Recife, o prefeito também parece ter concluído que, encerrada a eleição, será preciso desarmar o palanque.
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