Mendonça Filho tem caminho livre para ser o senador da direita em Pernambuco
Renato Araújo/Câmara dos Deputados
A desistência de Miguel Coelho da disputa ao Senado, anunciada neste sábado (1º), reorganizou o tabuleiro político de Pernambuco e abriu caminho claro para Mendonça Filho (PL) se consolidar como o principal nome da direita na eleição para a Casa Alta.
O ex-prefeito de Petrolina retirou sua pré-candidatura após conversa com a governadora Raquel Lyra (PSD). A decisão encerrou o impasse na Federação União Progressista e garantiu a vaga a Eduardo da Fonte (PP) na chapa da governadora, ao lado de Túlio Gadêlha (PSD).
Com Miguel fora, o campo da direita ficou mais nítido. O deputado federal Mendonça Filho, que migrou para o PL no início do ano, passa a ocupar o espaço de principal representante do eleitorado conservador no estado.
O tamanho do eleitorado de direita
Segundo a pesquisa Genial/Quaest de julho, 21% dos pernambucanos se identificam como de direita: 10% se declaram bolsonaristas e 11% se posicionam como direita não bolsonarista. Em números absolutos, isso representa cerca de 1,5 milhão de eleitores (considerando o eleitorado oficial de 7.225.744 aptos a votar em 2026).
Esse bloco, embora menor que o campo de esquerda, é suficiente para eleger um senador se estiver relativamente concentrado. E é exatamente esse o espaço que Mendonça Filho agora disputa com menos concorrência direta no campo majoritário.
Os números das pesquisas
Nas últimas pesquisas estimuladas para o Senado, Mendonça Filho já vinha aparecendo como o nome mais competitivo da direita:
- Datafolha (28 a 30 de julho): Marília Arraes (PDT) lidera com 18%, seguida por Humberto Costa (PT) com 14-15%. Mendonça Filho aparece com 10%, à frente de Miguel Coelho (9%) e Eduardo da Fonte (7%).
- Genial/Quaest (22 a 26 de julho): Marília tem 19%, Humberto 12% e Mendonça Filho 8%, empatado tecnicamente com Eduardo da Fonte e Miguel Coelho (ambos com 6%).
Com a saída de Miguel Coelho da disputa, o voto que ele capturava, especialmente no centro-direita, tende a se redistribuir. Parte pode migrar para Eduardo da Fonte, oficializado na chapa de Raquel Lyra. Outra parte, mais alinhada ao campo conservador e bolsonarista, pode encontrar em Mendonça Filho o nome com maior representatividade.
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