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Lula já mandou uma marisqueira “fechar a porteira” em evento público

Redação Por Redação em 21/09/2026, 10h26 · Atualizado às 11h02

A frase que a campanha de João Campos tenta transformar em dossiê contra Raquel Lyra tem primo no Palácio do Planalto. Em maio de 2024, em ato oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou uma mãe de cinco filhos sobre quando ela ia “fechar a porteira”.

O episódio foi em Maceió, na entrega de 914 unidades do Minha Casa, Minha Vida. Lula descreveu a mulher como “aquela menina que tem um monte de filho”, de 27 anos, com cinco filhos, contemplada com a chave da casa. Segundo o próprio presidente: “Companheira, quando é que vai fechar a porteira, companheira? Não pode mais ter filhos, ela tem 27 anos de idade.”

A marisqueira entra na ata oficial como beneficiária do programa habitacional. O presidente da República, em cerimônia de Estado, tratou a fecundidade de uma mulher pobre como assunto dele.

O paralelo com Garanhuns é óbvio e inconveniente para quem só descobriu o tema no domingo. Raquel Lyra, em maio de 2025, ouviu o relato de uma gestante com sete filhos e disse para botá-la na fila da laqueadura “sem ela saber”. Pediu desculpas ontem. Lula, um ano antes, olhou para uma mulher negra, mãe de cinco filhos, e perguntou quando fecharia a porteira. Não pediu desculpas.

Os dois comentários são do mesmo gênero: autoridade pública falando do útero alheio como se fosse política de governo.

PT e PCdoB convocam para esta segunda-feira um ato em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no Teatro Santa Isabel, com o cartaz “Raquel Lyra, respeite nossos corpos”. A convocação sai de perfis de candidatos que se apresentam como feministas.

Em quatro anos de governo Lula, o mesmo campo não levou faixa sobre o tema para a rua.

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