A eleição de Samuel Salazar (MDB) para a presidência da Câmara Municipal do Recife, no biênio 2027/2028, com 35 dos 37 votos, reforça um problema político do governo Raquel Lyra. Enquanto o PSB articula para ampliar sua influência na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o Palácio do Campo das Princesas permanece distante das disputas de poder.
Salazar é um aliado histórico do grupo Campos e exerceu a liderança do governo na Câmara. Sua vitória praticamente unânime demonstra que a estrutura política construída por João Campos continua funcionando, mesmo após sua derrota na eleição para governador.
A Prefeitura, agora comandada por Victor Marques (PCdoB), mantém uma base amplamente majoritária. O anúncio de Rinaldo Junior (PSB) como novo líder do governo municipal reforça a continuidade dessa articulação.
O contraste com a Alepe chama atenção. Enquanto o governo estadual tenta construir um acordo para a sucessão da Mesa Diretora, o PSB se movimenta em torno da candidatura de Gustavo Gouveia (Podemos), explorando divergências na base governista e preparando um grande golpe contra Raquel no Legislativo.
Na Câmara do Recife, entretanto, não houve sequer uma movimentação equivalente do Palácio para disputar influência sobre a composição da Mesa Diretora.
A derrota eleitoral de João Campos não significou o desmonte de sua estrutura de poder na capital. Enquanto o PSB disputa espaços até mesmo no Legislativo estadual, o Palácio segue sem protagonismo nas movimentações políticas.