Fake news sobre Comando Vermelho pode ser enquadrada como terrorismo eleitoral
Imagem: Reprodução
A fake news do suposto “toque de recolher” imposto pelo crime organizado em comunidades da Zona Norte do Recife e de Olinda gerou pânico real entre moradores, viralizou nas redes sociais e agora levanta questionamentos sobre possível uso político da desinformação. Aliados de João Campos (PSB), como o influenciador Emerson Freitas e o secretário de Direitos Humanos e Juventude do Recife, Marco Aurélio Filho, ajudaram a ampliar uma narrativa que confronta diretamente o posicionamento oficial das forças de segurança.
O influenciador Emerson Freitas, pré-candidato a deputado estadual pelo MDB e aliado do grupo político de João Campos, publicou vídeo sobre o assunto que ultrapassou 637 mil visualizações, 35,2 mil curtidas, 2 mil compartilhamentos e 30 mil salvamentos. No conteúdo, ele cita bairros como Saramandaia, Campo Grande, Chie, Campina do Barreto, Cajueiro, Peixinhos, Marezão, Ponte Preta e Ilha do Maruim, afirmando que moradores estariam aterrorizados e questionando os impactos para trabalhadores e estudantes.
O secretário Marco Aurélio Filho também entrou no debate ao comentar uma publicação do Bastidor.pe, questionando se moradores do Ibura e do Alto da Santa Terezinha “estão mentindo” e sugerindo que quem reproduz o posicionamento oficial das autoridades estaria distante da realidade das periferias. Horas depois, diante da repercussão, os comentários foram apagados. Marco Aurélio, que é vereador do Recife licenciado, é filho do ex-deputado estadual Marco Aurélio Meu Amigo, e também faz articulação política para a pré-candidatura de João Campos ao governo.
Já a virtual ex-delegada e influenciadora Natasha Dolci, pré-candidata a deputada estadual também pelo MDB, ao comentar uma publicação do Bastidor.pe no Instagram, afirmou que “o toque de recolher do Ibura é verdade” e cobrou um plano de contenção por parte da Polícia Civil. A manifestação, porém, entrou em choque com a posição oficial da própria corporação, que já havia informado publicamente que as mensagens sobre toque de recolher atribuídas ao Comando Vermelho são falsas e fazem parte de uma campanha de desinformação destinada a gerar medo na população.
Um dado que salta aos olhos é que as comunidades citadas no toque de recolher falso foram Saramandaia, Campo Grande, Chie, Campina do Barreto, Cajueiro, Peixinhos, Marezão, Ponte Preta e Ilha do Maruim. O secretário do Recife e a influenciadora, em suas respostas, mencionaram outras comunidades para descredibilizar a matéria.


A divergência chama atenção porque, enquanto figuras públicas e agentes políticos reforçavam a narrativa do toque de recolher, o delegado Victor Leite, da Polícia Civil, e o coronel Jonas Moreno, da Polícia Militar, foram categóricos ao classificar as mensagens como fake news. A Secretaria de Defesa Social (SDS) confirmou a abertura de investigação para identificar os responsáveis pela disseminação do boato, enquanto a PM informou reforço no policiamento da região e destacou a redução dos índices de homicídio na área. Juristas ouvidos pelo Bastidor.pe avaliam que o episódio pode justificar provocação ao Ministério Público Eleitoral e à Justiça Eleitoral, diante da possibilidade de utilização coordenada da desinformação para espalhar pânico social e influenciar o ambiente político.
Mais lidas
Repercussão negativa de Porto de Galinhas ultrapassa 120 milhões de visualizações
Veja onde os panfletos de ódio foram espalhados no Centro do Recife
Saiba quem cresce e quem cai nas pesquisas em Pernambuco
Análise completa: Kari Santos é o principal ativo do PT em Pernambuco
Prefeitura do Recife tem um dos maiores custos com publicidade do Brasil
Redes Sociais