Empresa administrada por vice de João Campos recebeu R$ 2 milhões do Banco Master
Carlos Costa detinha 90% da RI Consulting, que prestou serviços ao banco de Daniel Vorcaro; irmão, Silvio Costa Filho, também aparece na agenda de contatos apreendida do banqueiro.
A RI Consulting, empresa que teve como sócios o ex-deputado federal Silvio Costa e o advogado Carlos Costa (Republicanos), atual candidato a vice-governador na chapa de João Campos (PSB), emitiu R$ 2 milhões em notas fiscais ao Banco Master entre março de 2024 e outubro de 2025. As informações foram reveladas pelo UOL nesta semana.
Segundo a reportagem, foram 20 notas fiscais de R$ 100 mil referentes a serviços de consultoria em relações governamentais. Uma alteração contratual de outubro de 2023 mostra que Carlos Costa possuía 90% das quotas da RI Consulting e também era responsável pela administração da empresa. Os 10% restantes pertenciam ao pai, Silvio Costa.
Carlos deixou a sociedade em 23 de março de 2026, quando transferiu sua participação ao pai, que passou a controlar integralmente a consultoria. Meses depois, Carlos foi escolhido para ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada por João Campos na disputa pelo Governo de Pernambuco.
Os pagamentos do Master à RI Consulting já haviam aparecido em documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do Senado. Em abril, o Metrópoles revelou que a Receita identificou R$ 1,1 milhão transferidos pelo banco à empresa somente ao longo de 2025.
O valor não contradiz os R$ 2 milhões identificados posteriormente pelo UOL. Os levantamentos abrangem períodos e documentos diferentes: os dados enviados à CPI apontavam R$ 1,1 milhão em transferências durante 2025, enquanto as notas fiscais levantadas pelo UOL abrangem o intervalo entre março de 2024 e outubro de 2025.
Silvio Costa confirma contrato com o Master
Silvio Costa confirmou que a RI Consulting foi contratada pelo Banco Master. Segundo o ex-deputado, o trabalho consistia no acompanhamento da reforma tributária no Congresso Nacional e de projetos de lei em tramitação nos estados e municípios.
Costa afirmou ainda que nunca participou de reuniões com Banco Central, BRB ou outras instituições envolvidas nas investigações sobre o Master. Segundo ele, relatórios dos serviços prestados eram enviados mensalmente. O ex-deputado também afirmou posteriormente ao UOL que rescindiu o contrato quando vieram à tona os problemas envolvendo o banco.
A RI Consulting também prestou serviços a empresas do setor portuário durante o período em que Silvio Costa Filho, irmão de Carlos e filho de Silvio Costa, comandava o Ministério de Portos e Aeroportos. O UOL identificou R$ 960 mil em notas fiscais relacionadas a empresas desse setor. Silvio Costa Filho nega ter recebido solicitações da consultoria ou ter atuado para beneficiar seus clientes.
Silvio Costa Filho estava na agenda de Vorcaro
A ligação da família com o caso Master tem outro elemento. O nome de Silvio Costa Filho aparece na agenda de contatos encontrada em um dos celulares apreendidos de Daniel Vorcaro.
Levantamentos publicados pela CNN Brasil e pela Folha de S.Paulo mostraram que o contato do então ministro estava armazenado junto aos de outras autoridades, entre elas ministros do Supremo Tribunal Federal, presidentes do Congresso, governadores e integrantes do sistema financeiro.
A presença de um telefone na agenda, isoladamente, não comprova relação pessoal, irregularidade ou troca de mensagens. A própria CNN fez essa ressalva ao divulgar os dados. O registro, no entanto, acrescenta um contato de Silvio Costa Filho armazenado pelo banqueiro enquanto uma empresa de sua família mantinha relação comercial com o Banco Master.
Vice de João controlava 90% da consultoria
Carlos Costa aparece no centro da conexão pernambucana porque não era apenas um sócio minoritário da RI Consulting. Documentos societários obtidos pelo UOL mostram que ele detinha 90% das quotas e era o administrador da empresa desde alteração contratual realizada em outubro de 2023.
Isso significa que Carlos ocupava essas posições durante o período em que foram emitidas as 20 notas de R$ 100 mil ao Banco Master. Ele permaneceu na sociedade até março deste ano. Ao Diario de Pernambuco, Carlos confirmou que foi sócio da RI Consulting e afirmou ter deixado a empresa quando recebeu o convite para disputar a eleição como vice de João Campos.
Não há prova de pagamento a João Campos
Até o momento, não há evidência pública, nas fontes consultadas, de que João Campos tenha recebido recursos do Banco Master, mantido contrato com a instituição ou estabelecido relação empresarial com Daniel Vorcaro.
A conexão documentada com a chapa do PSB passa por Carlos Costa: o atual candidato a vice de João controlava 90% e administrava a RI Consulting durante o período em que a empresa prestou serviços ao Banco Master. Carlos deixou formalmente a sociedade em março de 2026.
Os documentos e reportagens conhecidos estabelecem, portanto, uma sequência objetiva: o Banco Master contratou a RI Consulting; Carlos Costa era seu sócio majoritário e administrador; seu irmão, Silvio Costa Filho, aparece entre os contatos armazenados por Vorcaro; e Carlos posteriormente tornou-se candidato a vice-governador na chapa de João Campos. Esses elementos, por si só, não demonstram participação de João nas relações comerciais entre a consultoria e o banco.
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