Chuva no Recife recepciona Lula e reacende debate sobre drenagem na cidade
Lula está no Recife nesta sexta-feira (25/9) para ato de campanha ao lado de João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco e ex-prefeito da capital até abril deste ano. Pela manhã, a capital pernambucana amanheceu debaixo de muita chuva, com diversos pontos de alagamentos no centro do Recife. A previsão do Inmet para o dia é de muitas nuvens com possibilidade de chuva isolada, com máxima de 30°C e umidade chegando a 90%. O cenário que reacende um tema sensível para um dos adversários políticos mais fortes de João Campos: os alagamentos recorrentes no Recife..
O problema não é novo nem pontual
Em abril, chuvas intensas na madrugada de uma sexta-feira provocaram alagamentos generalizados e congestionamentos, reacendendo críticas ao ex-prefeito. Na ocasião, moradores relataram vias como o viaduto da Caxangá e o Derby levando mais de uma hora para percorrer cinco quilômetros após poucos minutos de chuva, e opositores destacaram que mesmo depois de anos de promessas a cidade seguia vulnerável aos temporais. No mesmo mês, um vereador de oposição percorreu o bairro da Imbiribeira, na Zona Sul, e apontou pontos de alagamento persistentes mesmo após as obras estruturais feitas pela prefeitura nos últimos anos.
Os números da drenagem
Levantamento com base no Portal da Transparência mostrou que, entre 2021 e 2024, o investimento em drenagem urbana somou cerca de R$ 234 milhões: R$ 39,9 milhões em 2021, R$ 61,3 milhões em 2022, R$ 62,9 milhões em 2023 e R$ 71,7 milhões em 2024, valor que críticos contrapõem aos R$ 609 milhões gastos pela prefeitura em festas, eventos e publicidade institucional no mesmo período.
Na ocasião, a gestão municipal rebateu a comparação, afirmando que, somando obras em áreas de morro e ações de drenagem, o total investido nos últimos quatro anos passou de R$ 808,1 milhões, sendo R$ 508,1 milhões em 6.334 intervenções em áreas de risco e mais de R$ 300 milhões em macro e microdrenagem.
Campanha rebate
Já em campanha para o governo do estado, João Campos trata o tema como vitrine, não como vulnerabilidade. Em entrevista recente, afirmou que ninguém fez mais do que sua gestão no combate aos alagamentos do Recife e disse pretender levar o modelo adotado na capital, incluindo dez mil obras em áreas de morro na Região Metropolitana e mil ruas com infraestrutura urbana, para outros municípios caso eleito. Ele também citou a elaboração de um plano hidrológico-hidrodinâmico, que o Recife não tinha e levou dois anos para ser concluído, após passar por validação internacional, como base técnica das obras recentes.
Mesmo com o pacote mais recente, R$ 381 milhões anunciados para a Ação Inverno 2026, elevando para cerca de R$ 1,5 bilhão o total investido em proteção de encostas e drenagem desde 2021, incluindo obras nas avenidas Dois Rios, Dom Helder Câmara, Recife, Abdias de Carvalho e Mascarenhas de Moraes , o problema segue crônico o bastante para que qualquer chuva forte na chegada de um presidente da República em campanha vire, inevitavelmente, um lembrete visual do desafio estrutural que a cidade ainda não resolveu.
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